IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2020
Lactente de 15 meses deu entrada na unidade de pronto atendimento com quadro de vômitos recorrentes e diarreia líquida sem sangue ou muco, cerca de 5 episódios por dia há 3 dias. O pediatra plantonista iniciou hidratação venosa e classificou como desidratação do 2º grau e hipernatremia grave (Na+ sérico = 162mEq/L). Com 24h de correção, o Na+ sérico encontra se em 140 mEq/L, os sinais clínicos de desidratação não mais existem e restabeleceu-se a diurese. Subitamente o lactente apresenta convulsões. Qual é a causa mais provável da convulsão?
Correção rápida de hipernatremia grave → edema cerebral e convulsões.
A correção muito rápida da hipernatremia, especialmente em casos graves, pode levar a um rápido influxo de água para as células cerebrais, resultando em edema cerebral e convulsões. A redução do sódio sérico deve ser gradual, idealmente não excedendo 10-12 mEq/L em 24 horas, para permitir a adaptação osmótica do cérebro.
A hipernatremia em lactentes é uma condição grave, frequentemente associada à desidratação, especialmente em quadros de gastroenterite com vômitos e diarreia. A concentração elevada de sódio sérico (>145 mEq/L) indica um déficit de água livre maior que o déficit de sódio. O manejo adequado é crucial, pois tanto a hipernatremia não corrigida quanto a correção inadequada podem ter consequências neurológicas devastadoras. Quando a hipernatremia se instala, o cérebro se adapta para proteger suas células da desidratação, produzindo osmóis idiogênicos. Essa adaptação, embora protetora contra a desidratação cerebral, torna o cérebro extremamente vulnerável à correção rápida do sódio. Se o sódio sérico for reduzido muito rapidamente, o plasma se torna hipotônico em relação ao ambiente intracelular cerebral, causando um influxo massivo de água para as células cerebrais. Esse influxo resulta em edema cerebral, que pode levar a convulsões, coma e morte. No caso clínico apresentado, a redução do sódio de 162 mEq/L para 140 mEq/L em 24 horas (uma queda de 22 mEq/L) é excessivamente rápida, excedendo o limite seguro de 10-12 mEq/L/dia. Essa correção abrupta é a causa mais provável das convulsões do lactente, devido ao desenvolvimento de edema cerebral. O tratamento da hipernatremia deve ser gradual, com o objetivo de reduzir o sódio sérico em aproximadamente 0,5 mEq/L/hora, utilizando soluções hipotônicas ou isotônicas dependendo do grau de desidratação e da estabilidade hemodinâmica do paciente.
A correção rápida da hipernatremia pode levar ao edema cerebral. Quando o sódio sérico diminui rapidamente, o plasma se torna hipotônico em relação ao líquido intracelular cerebral, causando um influxo de água para as células cerebrais e seu inchaço.
A velocidade ideal de correção do sódio na hipernatremia é gradual, não devendo exceder 0,5 mEq/L/hora, ou seja, uma redução máxima de 10-12 mEq/L nas primeiras 24 horas, para permitir a adaptação osmótica do cérebro e evitar o edema.
Em casos de hipernatremia crônica, o cérebro se adapta produzindo e acumulando osmóis idiogênicos (como aminoácidos e polióis) dentro das células. Isso ajuda a manter o equilíbrio osmótico e prevenir a desidratação celular, mas torna o cérebro vulnerável ao edema se o sódio for corrigido rapidamente.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo