SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2022
Uma mulher de sessenta anos de idade deu entrada em serviço de emergência com relato de dor torácica retroesternal leve, sem irradiações, com sensação subjetiva de dispneia associada. Previamente com relato de miocardite viral por covid e hipertensão arterial sistêmica, em uso irregular de medicações, ao exame físico da admissão, estava lúcida e orientada, com pressão arterial de 150 x 100 mmHg, bilateralmente, frequência cardíaca de 124 bpm, frequência respiratória de 28 irpm e saturação de 91% em ar ambiente, evoluindo, durante a avaliação, com piora da dispneia, progressivamente, assim como com a ausculta evidenciando estertores até o ápice pulmonar. Realizou, também, a radiografia seguinte.Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a conduta que deverá ser adotada no momento.
Paciente com IC descompensada (miocardite + HAS, dispneia, estertores, congestão) → Furosemida + Nitrato EV + VNI.
O quadro clínico de dispneia progressiva, estertores pulmonares, taquicardia, taquipneia e saturação baixa, em paciente com histórico de miocardite e HAS, sugere fortemente edema agudo de pulmão por insuficiência cardíaca descompensada, necessitando de diurético, vasodilatador e suporte ventilatório não invasivo.
O edema agudo de pulmão (EAP) cardiogênico é uma emergência médica grave, caracterizada pelo acúmulo rápido de líquido nos alvéolos pulmonares devido à elevação das pressões de enchimento cardíacas. É frequentemente uma manifestação de insuficiência cardíaca descompensada, exacerbada por fatores como hipertensão não controlada, isquemia miocárdica ou infecções virais como a miocardite por COVID-19. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na tríade de dispneia súbita e progressiva, taquipneia e presença de estertores pulmonares difusos. A radiografia de tórax tipicamente revela infiltrados intersticiais e alveolares bilaterais, cardiomegalia e derrame pleural. A prioridade no manejo é a estabilização hemodinâmica e respiratória do paciente. A conduta inicial envolve a administração de diuréticos de alça (furosemida) para reduzir a pré-carga e a congestão, vasodilatadores (nitratos) para diminuir a pré-carga e a pós-carga, e suporte ventilatório. A ventilação não invasiva (VNI) é frequentemente a primeira escolha para melhorar a oxigenação e reduzir o trabalho respiratório, evitando a intubação em muitos casos. O reconhecimento rápido e a intervenção agressiva são cruciais para o prognóstico.
Os sinais incluem dispneia súbita e intensa, ortopneia, tosse com expectoração rósea, taquipneia, taquicardia, estertores crepitantes difusos e, em casos graves, cianose e hipotensão.
A furosemida é um diurético de alça potente que reduz a pré-carga e a congestão pulmonar. Os nitratos (como dinitrato de isossorbida ou nitroglicerina) são vasodilatadores que diminuem a pré-carga e a pós-carga, melhorando a função cardíaca e a dispneia.
A VNI (CPAP ou BiPAP) é indicada para pacientes com dispneia moderada a grave, hipoxemia e/ou hipercapnia, pois melhora a oxigenação, reduz o trabalho respiratório e a pré-carga cardíaca, evitando a intubação orotraqueal em muitos casos.
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