UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2024
Homem de 80 anos, internado em Unidade de cuidados semi-intensivos por desorientação associada a quadro de sepse de foco urinário, sem outros sintomas. Durante fase rápida de hidratação com solução cristaloide endovenosa, evoluiu agudamente com desconforto respiratório, tosse seca, taquicardia e pico hipertensivo. Com base nesse quadro, o diagnóstico provável da intercorrência e seu respectivo tratamento inicial são
Idoso séptico + hidratação rápida + desconforto respiratório agudo, tosse, taquicardia, hipertensão → Edema Agudo de Pulmão (EAP). Tratamento inicial: diurético de alça IV.
Pacientes idosos, especialmente com comorbidades como sepse, são mais suscetíveis a sobrecarga volêmica durante a hidratação endovenosa. O quadro de desconforto respiratório agudo, tosse, taquicardia e hipertensão após hidratação rápida é altamente sugestivo de edema agudo de pulmão, que requer diurético de alça IV como tratamento inicial para reduzir a pré-carga.
O edema agudo de pulmão (EAP) é uma emergência médica caracterizada pelo acúmulo súbito de líquido nos alvéolos pulmonares, resultando em grave comprometimento da troca gasosa. Em pacientes idosos, especialmente aqueles com comorbidades como insuficiência cardíaca prévia ou em quadros de sepse, a sobrecarga volêmica é uma causa comum de EAP. No cenário clínico apresentado, um paciente idoso com sepse urinária, que recebeu hidratação endovenosa rápida, desenvolve desconforto respiratório agudamente, tosse seca, taquicardia e pico hipertensivo. Este quadro é altamente sugestivo de descompensação cardíaca induzida por volume, levando ao EAP. A sepse, por si só, pode causar disfunção miocárdica e aumentar a permeabilidade capilar, tornando o paciente ainda mais vulnerável. O tratamento inicial do EAP por sobrecarga volêmica visa reduzir a pré-carga cardíaca e remover o excesso de líquido. Diuréticos de alça, como a furosemida, administrados por via endovenosa, são a pedra angular do tratamento devido ao seu rápido início de ação e potente efeito diurético e venodilatador. Outras medidas incluem oxigenoterapia, ventilação não invasiva (se necessário) e, em alguns casos, vasodilatadores. O reconhecimento precoce e a intervenção rápida são cruciais para melhorar o prognóstico desses pacientes, um conhecimento indispensável para residentes.
Idosos frequentemente possuem comorbidades como insuficiência cardíaca, doença renal crônica e disfunção ventricular, que os tornam mais vulneráveis à sobrecarga volêmica e ao desenvolvimento de EAP, especialmente em contextos de sepse ou hidratação agressiva.
A sobrecarga volêmica aumenta a pressão hidrostática nos capilares pulmonares, excedendo a pressão oncótica e a capacidade de drenagem linfática, resultando no extravasamento de líquido para o interstício e alvéolos pulmonares, comprometendo a troca gasosa.
Diuréticos de alça, como a furosemida, promovem rápida diurese e venodilatação, reduzindo a pré-carga cardíaca, a pressão nos capilares pulmonares e, consequentemente, o edema pulmonar, aliviando o desconforto respiratório.
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