UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020
Mulher 60a, é atendida no domicilio pelo SAMU apresentando intensa falta de ar e tosse com expectoração clara há 20 minutos. Antecedentes pessoais: hipertensão arterial sistêmica e cardiopata em uso losartana, furosemida e AAS. Exame físico: PA= 240x130mmHg; FC= 115bpm; FR= 30irpm; pulmões: estertores crepitantes nas bases e campo médio. Realizada avaliação primária, suporte ventilatório, posicionamento adequado do paciente e acesso venoso. A CONDUTA MEDICAMENTOSA A SEGUIR É:
Edema Agudo de Pulmão + Hipertensão: Dinitrato de isossorbida, Morfina, Furosemida para ↓ pré/pós-carga.
No edema agudo de pulmão cardiogênico com crise hipertensiva, a conduta visa reduzir rapidamente a pré-carga e a pós-carga cardíaca. O dinitrato de isossorbida e a morfina promovem vasodilatação venosa e arterial, enquanto a furosemida induz diurese, aliviando a congestão pulmonar e a sobrecarga cardíaca.
O edema agudo de pulmão cardiogênico é uma emergência médica caracterizada por acúmulo súbito de líquido nos alvéolos pulmonares devido à insuficiência ventricular esquerda aguda, frequentemente precipitada por uma crise hipertensiva em pacientes cardiopatas. A apresentação clínica inclui dispneia intensa, tosse com expectoração espumosa e estertores crepitantes difusos. O reconhecimento rápido e a intervenção imediata são cruciais para evitar desfechos desfavoráveis. A fisiopatologia envolve um aumento abrupto da pressão hidrostática nos capilares pulmonares, levando à transudação de líquido para o interstício e alvéolos. Em um cenário de crise hipertensiva, a elevação da pós-carga agrava a disfunção ventricular esquerda. O tratamento visa reduzir a pré-carga (para aliviar a congestão), a pós-carga (para melhorar a ejeção ventricular) e a ansiedade do paciente. A avaliação primária e o suporte ventilatório são passos iniciais essenciais. A conduta medicamentosa padrão inclui diuréticos de alça (furosemida) para promover diurese e reduzir a pré-carga, nitratos (dinitrato de isossorbida ou nitroglicerina) para vasodilatação venosa e arterial, e sulfato de morfina para venodilatação e alívio da dispneia e ansiedade. É fundamental que residentes dominem essa sequência terapêutica, ajustando as doses conforme a resposta clínica e monitorando de perto os parâmetros hemodinâmicos e respiratórios do paciente para garantir uma recuperação eficaz e segura.
Os principais objetivos são reduzir a pré-carga (para diminuir a congestão pulmonar), reduzir a pós-carga (para melhorar a função ventricular esquerda e a perfusão sistêmica) e aliviar os sintomas, como a dispneia. Isso é alcançado com vasodilatadores, diuréticos e, por vezes, inotrópicos.
O sulfato de morfina é utilizado por seus efeitos venodilatadores (reduzindo a pré-carga), ansiolíticos (diminuindo o trabalho respiratório e a demanda de oxigênio) e sedativos. Ele ajuda a quebrar o ciclo de ansiedade e dispneia que agrava o quadro, embora seu uso deva ser cauteloso devido ao risco de depressão respiratória.
Os nitratos são potentes vasodilatadores, atuando principalmente na circulação venosa para reduzir a pré-carga cardíaca, diminuindo o retorno venoso ao coração e, consequentemente, a congestão pulmonar. Em doses mais altas, também promovem vasodilatação arterial, reduzindo a pós-carga e melhorando a função ventricular.
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