Edema Agudo de Pulmão: Manejo Inicial no Pronto Socorro

Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 78 anos, chega ao pronto socorro com queixa de dispneia progressiva, associada à edema de MMII. Nega tosse ou febre. Não sabe relatar sobre medicações de uso contínuo. Feito o seguinte exame na chegada, mostrado na imagem, qual alternativa está correta em relação à conduta?

Alternativas

  1. A) Ventilação não invasiva tem pouco benefício nessa situação.
  2. B) O uso de diurético de alça está indicado inicialmente.
  3. C) A expansão volêmica deveria ser feita preferencialmente com ringer.
  4. D) A drenagem torácica pode ser feita no quinto espaço intercostal.

Pérola Clínica

Dispneia + Edema MMII + Congestão pulmonar (IC descompensada) → Diurético de alça (Furosemida) é 1ª linha.

Resumo-Chave

Em pacientes com dispneia progressiva e edema, sugestivos de insuficiência cardíaca descompensada com congestão pulmonar (edema agudo de pulmão), a terapia inicial mais importante é a redução da pré-carga com diuréticos de alça, como a furosemida, para aliviar a congestão.

Contexto Educacional

O edema agudo de pulmão (EAP) é uma emergência médica caracterizada pelo acúmulo rápido de líquido nos alvéolos pulmonares, resultando em dispneia grave e hipoxemia. Na maioria dos casos, é uma manifestação de insuficiência cardíaca aguda descompensada, especialmente em idosos com histórico de cardiopatia, hipertensão ou disfunção diastólica. A fisiopatologia envolve o aumento das pressões de enchimento do ventrículo esquerdo, que se transmite retrogradamente para as veias pulmonares e capilares, levando ao extravasamento de líquido para o interstício e, posteriormente, para os alvéolos. O diagnóstico é clínico, com dispneia súbita, ortopneia, tosse com expectoração rosada e espumosa, taquipneia, taquicardia e estertores crepitantes difusos. A radiografia de tórax tipicamente mostra infiltrado intersticial e alveolar bilateral, cardiomegalia e derrame pleural. A conduta inicial no pronto-socorro visa estabilizar o paciente e reduzir a congestão. O uso de diuréticos de alça (ex: furosemida intravenosa) é fundamental para promover a diurese e reduzir a pré-carga. Oxigenoterapia, nitratos (para vasodilatação e redução da pré-carga e pós-carga) e, em casos de insuficiência respiratória grave, ventilação não invasiva (VNI) ou intubação orotraqueal são medidas importantes. A expansão volêmica é contraindicada, pois agravaria a congestão.

Perguntas Frequentes

Qual a principal causa de edema agudo de pulmão em idosos?

A principal causa de edema agudo de pulmão em idosos é a insuficiência cardíaca descompensada, frequentemente precipitada por isquemia miocárdica, arritmias, infecções ou má adesão medicamentosa.

Por que os diuréticos de alça são a primeira escolha no tratamento do edema agudo de pulmão?

Os diuréticos de alça, como a furosemida, são potentes e de ação rápida, promovendo a excreção de sódio e água, o que reduz a pré-carga cardíaca e alivia a congestão pulmonar, melhorando a dispneia.

Quando a ventilação não invasiva (VNI) é indicada no edema agudo de pulmão?

A VNI é indicada para pacientes com edema agudo de pulmão que apresentam dispneia grave, hipoxemia e/ou acidose respiratória, pois melhora a oxigenação, reduz o trabalho respiratório e a pré-carga e pós-carga cardíacas.

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