Ectrópio Pós-Blefaroplastia: Diagnóstico e Conduta Clínica

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 64 anos realizou blefaroplastia para rejuvenescimento do olhar. Após 6 semanas da cirurgia, notou que a borda palpebral está evertida e sem contato com o globo ocular. O nome dessa alteração é:

Alternativas

  1. A) Proptose ocular.
  2. B) Epífora.
  3. C) Ectrópio.
  4. D) Lagoftalmo.

Pérola Clínica

Ectrópio = eversão da margem palpebral; Entrópio = inversão da margem palpebral.

Resumo-Chave

O ectrópio pós-blefaroplastia é geralmente cicatricial, resultante da ressecção excessiva de pele ou retração do septo orbital, levando à exposição da conjuntiva.

Contexto Educacional

O ectrópio é uma das complicações mais temidas da blefaroplastia inferior. Ele não apenas compromete o resultado estético do rejuvenescimento periocular, mas impõe riscos funcionais graves à saúde ocular. A fisiopatologia envolve o desequilíbrio entre as forças que sustentam a pálpebra contra o globo ocular e as forças de tração vertical descendente. Na prática clínica, o diagnóstico é visual, mas a etiologia deve ser investigada. O tratamento inicial em casos leves ou precoces pode envolver massagens e uso de fitas adesivas (taping) para suporte, mas casos persistentes ou graves após 6 meses geralmente requerem cirurgia reconstrutiva, como enxertos de pele ou retalhos de transposição para alongar a lamela anterior.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza o ectrópio após uma blefaroplastia?

O ectrópio é definido pela eversão da margem palpebral, fazendo com que a superfície interna (conjuntiva) fique exposta e perca o contato direto com o globo ocular. No contexto da blefaroplastia, essa condição é frequentemente classificada como ectrópio cicatricial. Ele ocorre devido a uma tensão vertical excessiva na lamela anterior da pálpebra, geralmente causada por uma ressecção exagerada de pele ou por fibrose e retração do septo orbital durante o processo de cicatrização. Clinicamente, o paciente apresenta irritação ocular, lacrimejamento reflexo (epífora) e hiperemia conjuntival devido à exposição crônica e ao ressecamento da mucosa.

Qual a diferença entre ectrópio e lagoftalmo?

Embora ambos possam coexistir no pós-operatório de cirurgias palpebrais, são entidades distintas. O ectrópio refere-se especificamente ao mau posicionamento da margem palpebral, que se vira para fora (eversão). Já o lagoftalmo é a incapacidade funcional de fechar completamente as pálpebras, o que deixa o globo ocular exposto mesmo durante o sono ou o piscar. O ectrópio grave pode causar lagoftalmo mecânico, pois a margem evertida impede o selamento palpebral adequado. Ambos aumentam significativamente o risco de ceratite por exposição e úlceras de córnea, exigindo lubrificação intensiva e, muitas vezes, reintervenção cirúrgica para correção da lamela encurtada.

Como prevenir o ectrópio em cirurgias de rejuvenescimento facial?

A prevenção do ectrópio na blefaroplastia baseia-se em uma avaliação pré-operatória rigorosa da flacidez palpebral. O cirurgião deve realizar o 'snap test' e o 'distraction test' para avaliar o tônus do tendão cantal lateral. Em pacientes com frouxidão ligamentar significativa, a simples remoção de pele pode precipitar o ectrópio. Nestes casos, técnicas de reforço do canto lateral, como a cantopexia ou o 'canthal tilt' (cantoplastia), são indicadas para fornecer suporte estrutural à pálpebra inferior. Além disso, a preservação conservadora de pele e músculo orbicular, evitando a manipulação excessiva do septo orbital, reduz o risco de retrações cicatriciais indesejadas.

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