CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017
O ectrópio e o entrópio cicatriciais da pálpebra são tratados respectivamente com:
Ectrópio cicatricial = falta lamela anterior (pele); Entrópio cicatricial = rotação marginal.
O ectrópio cicatricial decorre do encurtamento da lamela anterior, exigindo expansão com enxerto; o entrópio cicatricial envolve a lamela posterior, tratado com rotação da margem palpebral.
A anatomia palpebral é dividida didaticamente em lamela anterior (pele e orbicular) e lamela posterior (tarso e conjuntiva), separadas pelo septo orbital. Alterações cicatriciais que reduzem a superfície de qualquer uma dessas lamelas resultam em mau posicionamento da margem palpebral. No ectrópio cicatricial, a pálpebra é puxada para longe do globo; no entrópio, para dentro. O sucesso cirúrgico depende da identificação correta da lamela acometida. Enquanto o ectrópio cicatricial quase sempre demanda enxerto de pele para alongar a lamela anterior, o entrópio cicatricial exige a correção da curvatura tarsal ou o alongamento da conjuntiva. A blefarotomia com rotação marginal é o padrão-ouro para casos moderados de entrópio cicatricial, redirecionando os cílios para longe da córnea.
O ectrópio cicatricial é causado pelo encurtamento vertical da lamela anterior da pálpebra (pele e músculo orbicular), geralmente devido a traumas, queimaduras, cirurgias prévias ou condições inflamatórias crônicas. Como há falta de tecido, o tratamento definitivo exige a expansão dessa lamela. Isso é feito através da liberação das trações cicatriciais e preenchimento do defeito com um enxerto autólogo de pele (geralmente de pele total da pálpebra superior contralateral, região retroauricular ou supraclavicular).
O entrópio involucional é causado pela frouxidão palpebral horizontal e desinserção dos retratores, comum em idosos. Já o entrópio cicatricial resulta do encurtamento da lamela posterior (conjuntiva e tarso), que 'puxa' a margem palpebral para dentro. O tratamento do cicatricial foca em everter a margem, utilizando técnicas como a blefarotomia transversa com rotação marginal (procedimento de Wies) ou enxertos de mucosa para repor a lamela posterior.
A técnica de Wies, ou blefarotomia com rotação marginal, consiste em uma incisão transmural (através de todas as camadas da pálpebra) paralela à margem palpebral. Suturas evertentes são passadas para rotacionar a margem para fora, corrigindo o entrópio. É uma técnica versátil, mas no caso de entrópios cicatriciais severos, pode ser necessário associar o alongamento da lamela posterior com enxertos de mucosa oral ou cartilagem.
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