CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2012
Assinale a alternativa correta em relação à ectopia lentis:
Marfan → Ectopia lentis superior + Anomalias do ângulo da câmara anterior.
Na Síndrome de Marfan, a subluxação do cristalino é tipicamente súpero-temporal e está frequentemente associada a alterações estruturais no ângulo iridocorneano, aumentando o risco de glaucoma.
A ectopia lentis é um sinal clínico fundamental para o diagnóstico de doenças sistêmicas do tecido conjuntivo. Enquanto no Marfan a mutação ocorre no gene da fibrilina-1 (FBN1), na homocistinúria há um erro inato do metabolismo dos aminoácidos sulfurados. O manejo oftalmológico foca na correção do erro refracional (frequentemente alto astigmatismo lenticular) e na prevenção de complicações como o descolamento de retina, que é mais comum nessas condições.
A alteração mais característica é a ectopia lentis (subluxação do cristalino), presente em cerca de 50-80% dos pacientes, geralmente bilateral e simétrica, com deslocamento súpero-temporal. Além disso, observa-se frequentemente um aumento do comprimento axial (miopia), córneas planas (cornea plana), hipoplasia do músculo dilatador da íris (dificultando a midríase) e anomalias no ângulo da câmara anterior, como processos iridocorneanos proeminentes.
No Marfan, o deslocamento é tipicamente superior/temporal e as zônulas estão alongadas, mas muitas vezes íntegras. Na Homocistinúria, o deslocamento é inferior/nasal e ocorre devido à degeneração zonular completa (por deficiência de cistationina beta-sintetase), tornando o cristalino muito mais móvel e propenso a luxar totalmente para a câmara anterior ou cavidade vítrea, o que pode causar glaucoma agudo por bloqueio pupilar.
Mais da metade dos pacientes com Marfan apresentam anomalias no ângulo da câmara anterior, como inserção alta da íris ou persistência de tecido mesenquimal. Essas alterações estruturais, somadas à possibilidade de subluxação do cristalino, aumentam significativamente a incidência de glaucoma nesses pacientes, exigindo monitoramento constante da pressão intraocular e do nervo óptico.
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