Eclâmpsia Recorrente: Manejo da Crise Convulsiva

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2024

Enunciado

Paciente C.M.M, 15 anos, gestação no curso das 38 semanas, encontra-se internada em Maternidade terciária por ter apresentado quadro de pressão arterial de 120x90mmHg e episódio convulsivo. Diurese satisfatória pela sonda vesical. Fez dose de ataque de sulfato de magnésio e durante a primeira dose de manutenção de 2 gramas/h, apresenta novo episódio de convulsão tônico-clônico generalizada. A conduta adequada após recorrência de episódio convulsivo nesta paciente é:

Alternativas

  1. A) Aplicar Diazepam 20 mg em bolus, por via intravenosa.
  2. B) Administrar midazolam ou lorazepam, por via endovenosa.
  3. C) Aplicar dose adicional de 2 g de sulfato de magnésio, por via intravenosa.
  4. D) Administrar dose de anti-hipertensivo para controle dos níveis pressóricos, por via oral.

Pérola Clínica

Convulsão eclâmptica recorrente sob sulfato de magnésio → administrar dose adicional de 2g IV.

Resumo-Chave

Em casos de eclâmpsia, se a paciente apresentar uma nova crise convulsiva mesmo após a dose de ataque e durante a dose de manutenção de sulfato de magnésio, a conduta imediata é administrar uma dose adicional de 2g de sulfato de magnésio por via intravenosa. Isso visa elevar rapidamente os níveis séricos do magnésio para um patamar terapêutico eficaz.

Contexto Educacional

A eclâmpsia é uma complicação grave da gestação, caracterizada pela ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas em mulheres com pré-eclâmpsia. É uma emergência obstétrica que exige manejo rápido e eficaz para prevenir morbimortalidade materna e fetal. O sulfato de magnésio é o fármaco de primeira linha para o tratamento e prevenção de convulsões eclâmpticas. A fisiopatologia da eclâmpsia envolve disfunção endotelial generalizada, vasoconstrição e isquemia cerebral, levando à irritabilidade cortical. O sulfato de magnésio atua como um anticonvulsivante central, diminuindo a excitabilidade neuronal e a liberação de acetilcolina, além de ter um efeito vasodilatador. A monitorização dos níveis séricos de magnésio e dos reflexos patelares é crucial para evitar toxicidade. Em caso de convulsão recorrente durante a terapia com sulfato de magnésio, a conduta inicial é administrar uma dose adicional de 2g de sulfato de magnésio IV. Se as convulsões persistirem após esta dose extra, pode-se considerar o uso de benzodiazepínicos (como diazepam ou lorazepam) e reavaliar a necessidade de parto. O controle da pressão arterial também é importante, mas não substitui a terapia anticonvulsivante.

Perguntas Frequentes

Qual a dose de ataque de sulfato de magnésio na eclâmpsia?

A dose de ataque padrão é de 4 a 6g de sulfato de magnésio por via intravenosa, administrada lentamente em 15 a 20 minutos, seguida por uma dose de manutenção.

Por que o sulfato de magnésio é o tratamento de escolha para eclâmpsia?

O sulfato de magnésio é o agente de escolha devido à sua eficácia comprovada na prevenção e tratamento das convulsões eclâmpticas, com um perfil de segurança favorável quando monitorado adequadamente.

Quais são os sinais de toxicidade por sulfato de magnésio?

Os sinais de toxicidade incluem depressão dos reflexos patelares, depressão respiratória, oligúria e, em casos graves, parada cardíaca. O antídoto é o gluconato de cálcio.

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