Eclâmpsia Puerperal: Manejo da Toxicidade por Sulfato de Magnésio

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2023

Enunciado

Fatima, 34 anos, com antecedente de pré-eclâmpsia, está no puerpério imediato de parto cesáreo. Durante o parto, ocorreu hipotonia uterina que foi revertida com misoprostol por via retal. Ainda no centro obstétrico, apresentou crise convulsiva tônico-clônica generalizada, que cessou após a terapêutica adequada. A paciente foi transferida para recuperação pós-anestésica. No momento, está orientada, sonolenta, em regular estado geral. Útero contraído, com loquiação fisiológica. Os controles de sinais vitais e diurese estão apresentados a seguir. Qual a conduta para o caso neste momento?

Alternativas

  1. A) Gluconato de cálcio.
  2. B) Hidratação endovenosa.
  3. C) Transfusão de hemácias.
  4. D) Furosemida endovenosa.
  5. E) Conduta expectante.

Pérola Clínica

Crise convulsiva em pré-eclâmpsia/eclâmpsia tratada com sulfato de magnésio → monitorar sinais de toxicidade e ter gluconato de cálcio à mão.

Resumo-Chave

A paciente teve uma crise convulsiva tônico-clônica generalizada no contexto de pré-eclâmpsia, o que caracteriza eclâmpsia. O tratamento de escolha para eclâmpsia é o sulfato de magnésio. A sonolência e a hipotonia uterina prévia (embora revertida) podem ser sinais de toxicidade por magnésio, que pode levar à depressão respiratória e parada cardíaca. O gluconato de cálcio é o antídoto específico para a toxicidade por sulfato de magnésio.

Contexto Educacional

A eclâmpsia é uma complicação grave da pré-eclâmpsia, caracterizada pela ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas em uma gestante ou puérpera com pré-eclâmpsia. O sulfato de magnésio é a droga de escolha para o tratamento e prevenção da recorrência das crises convulsivas na eclâmpsia. A paciente do caso, com histórico de pré-eclâmpsia e crise convulsiva tônico-clônica generalizada, foi tratada para eclâmpsia, provavelmente com sulfato de magnésio. A sonolência atual, embora a paciente esteja orientada, levanta a suspeita de toxicidade por magnésio, especialmente se a dose administrada foi elevada ou se há comprometimento da função renal. A hipotonia uterina prévia, embora revertida, não é o foco da conduta neste momento, mas a sonolência é um sinal de alerta. A toxicidade por sulfato de magnésio pode levar à perda dos reflexos patelares, depressão respiratória e, em casos extremos, parada cardíaca. O antídoto específico para a toxicidade por magnésio é o gluconato de cálcio, que deve ser administrado por via intravenosa lenta. A hidratação endovenosa, transfusão de hemácias ou furosemida não seriam a conduta inicial para a sonolência pós-eclâmpsia tratada com magnésio, a menos que houvesse outras indicações específicas não mencionadas. A conduta expectante seria inadequada diante da possibilidade de toxicidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de toxicidade por sulfato de magnésio?

Os sinais incluem perda dos reflexos patelares, sonolência excessiva, depressão respiratória, oligúria e, em casos graves, parada cardíaca. A monitorização dos níveis séricos de magnésio é importante.

Qual é o antídoto para a toxicidade por sulfato de magnésio e como ele age?

O antídoto é o gluconato de cálcio (1g IV lento). O cálcio antagoniza os efeitos neuromusculares do magnésio, revertendo a depressão respiratória e a perda de reflexos.

Por que o sulfato de magnésio é o tratamento de escolha para a eclâmpsia?

O sulfato de magnésio é o anticonvulsivante de escolha para a eclâmpsia porque age estabilizando as membranas neuronais, reduzindo a excitabilidade cortical e prevenindo a recorrência das crises convulsivas de forma eficaz e segura.

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