CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2013
A doença abaixo tem como hospedeiro definitivo:
Hidatidose (E. granulosus) → Cão é hospedeiro definitivo; Homem é hospedeiro intermediário acidental.
O Echinococcus granulosus completa seu ciclo reprodutivo nos canídeos (hospedeiros definitivos), enquanto humanos e herbívoros atuam como hospedeiros intermediários.
A hidatidose ou equinococose cística é uma zoonose de grande importância em áreas de criação de ovinos. O controle da doença baseia-se na interrupção do ciclo biológico, evitando que cães tenham acesso a vísceras cruas de animais abatidos (que contêm os cistos) e promovendo a desverminação periódica dos canídeos. No diagnóstico humano, a sorologia (ELISA/Western Blot) e exames de imagem (Ultrassonografia com classificação de WHO-IWGE e Tomografia) são fundamentais. O tratamento varia entre observação ('watch and wait'), cirurgia, técnica PAIR (Punção, Aspiração, Injeção, Reaspiração) ou uso de albendazol, dependendo do estágio e localização do cisto.
No ciclo do Echinococcus granulosus, o hospedeiro definitivo é aquele que abriga a forma adulta do parasita em seu intestino, onde ocorre a reprodução sexuada e a liberação de ovos nas fezes; neste caso, são os canídeos (principalmente o cão doméstico). O hospedeiro intermediário é aquele que ingere os ovos, os quais eclodem e liberam oncosferas que migram para órgãos (fígado, pulmões) para formar o cisto hidático (forma larval); os hospedeiros intermediários naturais são herbívoros como ovelhas e gado. O ser humano entra no ciclo como um hospedeiro intermediário acidental e 'terminal', pois não transmite o parasita adiante.
A transmissão para os seres humanos ocorre pela via fecal-oral, através da ingestão acidental de ovos de Echinococcus granulosus eliminados nas fezes de cães infectados. Isso pode acontecer pelo contato direto com o pelo do animal contaminado, solo, água ou alimentos (verduras e frutas) que contenham os ovos. Uma vez ingeridos, os ovos liberam embriões que atravessam a mucosa intestinal, ganham a circulação portal e se alojam preferencialmente no fígado (60-70%) ou pulmões, onde crescem lentamente formando cistos preenchidos por líquido e protoescóleces, conhecidos como cistos hidáticos.
A hidatidose costuma ser assintomática por muitos anos devido ao crescimento lento do cisto (cerca de 1 cm por ano). Os sintomas surgem pelo efeito de massa ou complicações. No fígado, pode causar dor no hipocôndrio direito, hepatomegalia ou icterícia obstrutiva se comprimir vias biliares. No pulmão, pode causar tosse, dispneia ou hemoptise. Uma complicação grave é a ruptura do cisto, que pode liberar líquido hidático altamente antigênico, levando a reações alérgicas severas, choque anafilático e disseminação secundária de novos cistos (hidatidose secundária) pela cavidade abdominal ou torácica.
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