INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016
Durante uma campanha de prevenção de acidentes ocupacionais em ambiente hospitalar, uma mulher com 32 anos de idade, auxiliar de enfermagem, foi submetida à sorologia para Hepatite C, por teste rápido presencial, revelando-se reativa. Está ansiosa, pois não entende bem o que tal resultado significa, já que “não sente nada” e “não tem ideia de como foi contaminada”. É referenciada ao Serviço de Apoio ao Trabalhador (SAT), no ambulatório do hospital onde trabalha. Na primeira etapa de investigação, além de responder às dúvidas que a paciente apresentar durante o atendimento, é necessário que o médico do SAT priorize:
Anti-HCV reativo → Próximo passo obrigatório: Confirmar com Carga Viral (HCV-RNA).
O teste rápido detecta anticorpos (exposição prévia), mas a confirmação de infecção ativa e a decisão terapêutica dependem da detecção do RNA viral (viremia).
O diagnóstico da Hepatite C evoluiu significativamente com a simplificação dos protocolos. O fluxo atual preconiza que, diante de um Anti-HCV positivo (seja por teste rápido ou laboratorial), deve-se realizar imediatamente o teste de carga viral (HCV-RNA). Se o RNA for detectável, o diagnóstico de infecção crônica é confirmado. Para profissionais de saúde expostos a material biológico, como no caso da auxiliar de enfermagem, o acolhimento e a explicação clara sobre a diferença entre 'exposição' e 'doença ativa' são fundamentais para reduzir a ansiedade. Uma vez confirmada a viremia, a avaliação do grau de fibrose hepática (por métodos não invasivos como APRI, FIB-4 ou Elastografia) e a verificação de coinfecções (HIV e HBV) são os passos subsequentes para o planejamento terapêutico.
Não. O teste rápido detecta anticorpos contra o vírus (Anti-HCV). Um resultado reativo indica que a pessoa foi exposta ao vírus em algum momento da vida. Cerca de 15% a 45% das pessoas infectadas eliminam o vírus espontaneamente nos primeiros seis meses, mas permanecem com o Anti-HCV positivo pelo resto da vida (cicatriz sorológica). Portanto, o teste reativo exige confirmação de viremia.
A pesquisa do HCV-RNA por biologia molecular é o único exame capaz de confirmar se o vírus está presente e se multiplicando no organismo (infecção ativa). Sem a confirmação da carga viral, não se pode diagnosticar a hepatite C crônica nem indicar o tratamento com antivirais de ação direta (DAAs).
Atualmente, com o uso de esquemas de tratamento pangenotípicos (que funcionam para todos os genótipos do vírus), a genotipagem tornou-se menos essencial no início da investigação em muitos protocolos. Ela deve ser solicitada após a confirmação da viremia, se o protocolo local ou a condição clínica do paciente (como cirrose descompensada ou falha terapêutica prévia) exigir a escolha de um esquema específico.
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