Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026
Durante a avaliação pré-operatória de uma cirurgia para correção do desvio de septo nasal, um paciente de 29 anos, previamente hígido, revelou estar em uso do medicamento naltrexona há seis semanas. Trata-se de um antagonista de receptores de opioide, utilizado no controle de abuso de álcool. Está programada a aplicação de anestesia geral para o procedimento. Nesse contexto, qual a recomendação clínica adequada?
Suspender naltrexona 72h antes de cirurgias eletivas para garantir eficácia da analgesia com opioides.
A naltrexona bloqueia competitivamente os receptores opioides; sua manutenção no perioperatório impede o controle da dor aguda com analgésicos opioides padrão.
A naltrexona é um componente vital no tratamento do transtorno por uso de álcool e dependência de opioides, agindo como um antagonista competitivo nos receptores μ-opioides. No contexto cirúrgico, sua presença representa um desafio significativo para o anestesiologista. A meia-vida da naltrexona oral é curta, mas seu metabólito ativo, 6-β-naltrexol, possui uma meia-vida mais longa, justificando a suspensão de 72 horas. O manejo perioperatório adequado evita a 'dor intratável' no pós-operatório. Além da suspensão, o médico deve reforçar a proibição do consumo de álcool, já que a interrupção da medicação pode aumentar a vulnerabilidade a recaídas. A comunicação entre a equipe cirúrgica, anestésica e o psiquiatra assistente é fundamental para o sucesso do desfecho clínico.
A naltrexona é um antagonista de receptores opioides de longa duração. Se o paciente for submetido a uma cirurgia sob efeito da droga, os opioides utilizados para analgesia intra e pós-operatória não conseguirão se ligar aos receptores, tornando o controle da dor extremamente difícil e aumentando o risco de depressão respiratória se doses excessivas forem tentadas para vencer o bloqueio.
A recomendação padrão é suspender a naltrexona por via oral pelo menos 72 horas (3 dias) antes de uma cirurgia eletiva. Para formulações injetáveis de liberação prolongada (vivitrol), a suspensão deve ocorrer cerca de 30 dias antes do procedimento.
Em emergências, deve-se utilizar uma estratégia de analgesia multimodal não-opioide (cetamina, AINEs, dipirona, bloqueios regionais). Se opioides forem indispensáveis, devem ser administrados sob monitorização rigorosa em ambiente de terapia intensiva, devido à estreita janela terapêutica entre o bloqueio e a toxicidade.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo