Assistolia na PCR: Condutas Contraindicadas e Essenciais

UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2021

Enunciado

Durante o atendimento de uma parada cardíaca em assistolia, o médico plantonista foi solicitado para iniciar as manobras de reanimação. Qual das condutas abaixo está contraindicada na assistolia?

Alternativas

  1. A) Massagem cardíaca externa.
  2. B) Desfibrilação com 360J em desfibrilador monofásico.
  3. C) Adrenalina 1mg EV a cada 3-5 minutos.
  4. D) Ventilação em dispositivo supraglótico avançado.

Pérola Clínica

Assistolia é ritmo não chocável → Desfibrilação contraindicada.

Resumo-Chave

Na assistolia, o coração não apresenta atividade elétrica organizada, sendo um ritmo não chocável. A desfibrilação é eficaz apenas em ritmos chocáveis como Fibrilação Ventricular (FV) e Taquicardia Ventricular (sem pulso - TVSP). O tratamento primário para assistolia inclui compressões torácicas de alta qualidade, ventilação e administração de adrenalina.

Contexto Educacional

A assistolia representa a ausência completa de atividade elétrica ventricular, sendo um dos ritmos de parada cardíaca mais graves e com pior prognóstico. É crucial que médicos e residentes saibam identificar e manejar corretamente a assistolia, diferenciando-a dos ritmos chocáveis para evitar condutas inadequadas que podem comprometer a sobrevida do paciente. O reconhecimento rápido e a aplicação do algoritmo de Suporte Avançado de Vida em Cardiologia (ACLS) são fundamentais para otimizar as chances de retorno à circulação espontânea (RCE). Fisiopatologicamente, a assistolia reflete uma falha total do sistema de condução cardíaco em gerar impulsos elétricos. O diagnóstico é feito pela ausência de complexos QRS no monitor cardíaco, confirmando a ausência de atividade elétrica ventricular. É importante sempre verificar se os cabos do monitor estão conectados corretamente e se o ganho está adequado, para descartar uma 'assistolia falsa' (cabo desconectado ou ganho muito baixo). O tratamento da assistolia foca em compressões torácicas ininterruptas e de alta qualidade, ventilação adequada e administração de adrenalina (epinefrina) 1 mg por via intravenosa a cada 3-5 minutos. A desfibrilação é expressamente contraindicada, pois não há atividade elétrica para ser chocada. O prognóstico da assistolia é geralmente reservado, mas a adesão rigorosa ao protocolo e a identificação e tratamento de causas reversíveis (os 'Hs e Ts') são essenciais para qualquer chance de sucesso.

Perguntas Frequentes

Quais são os ritmos de parada cardíaca não chocáveis?

Os ritmos de parada cardíaca não chocáveis são a assistolia e a atividade elétrica sem pulso (AESP). Nesses ritmos, a desfibrilação não é indicada, e o foco do tratamento é nas compressões torácicas de alta qualidade, ventilação e administração de adrenalina.

Qual a conduta inicial para um paciente em assistolia?

A conduta inicial para assistolia inclui iniciar imediatamente as compressões torácicas de alta qualidade, garantir uma via aérea e ventilação adequadas, e administrar adrenalina 1 mg EV a cada 3-5 minutos. É crucial não atrasar essas intervenções com tentativas de desfibrilação.

Por que a desfibrilação é contraindicada na assistolia?

A desfibrilação é contraindicada na assistolia porque este ritmo não possui atividade elétrica organizada para ser 'resetada' pelo choque elétrico. O choque não trará benefício e pode até atrasar as manobras de reanimação que são realmente eficazes, como as compressões torácicas e a administração de medicamentos.

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