HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (DF) — Prova 2024
A avaliação clínica perioperatória é descrita como análise clínica que objetiva quantificar o risco de complicações clínicas perioperatórias. Essa avaliação deve ser baseada em variáveis clínicas e em resultados de exames subsidiários (quando indicados) e deve considerar os riscos de complicações cardíacas e não cardíacas.Manual do residente de clínica médica. Maria Helena Sampaio Favarato et al. 3.ª ed. - Santana de Parnaíba/SP: Manole, 2023.Considerando o texto acima apenas de caráter informativo sobre avaliação clínica perioperatória bem como sua importância e seus assuntos correlatos, julgue:Paciente com stent farmacológico há 9 meses em dupla anti-agregação plaquetária, que necessita de cirurgia de urgência, deverá ter os medicamentos suspensos 7 dias antes do procedimento.
Cirurgia de urgência + Stent recente → Manter DAPT se possível ou suspender P2Y12 pelo menor tempo viável; nunca adiar a urgência.
Em cirurgias de urgência, o risco de sangramento é pesado contra o risco de trombose do stent; a suspensão sistemática por 7 dias é contraindicada se houver risco de vida imediato.
O manejo perioperatório de pacientes com stents coronarianos exige uma abordagem multidisciplinar entre cardiologistas, cirurgiões e anestesistas. O equilíbrio entre o risco trombótico (trombose do stent) e o risco hemorrágico (sangramento cirúrgico) é dinâmico. Em situações de urgência, a prioridade é o tratamento da condição aguda, muitas vezes operando o paciente sob efeito de antiagregantes. A recomendação de suspender o clopidogrel por 5 dias ou o prasugrel por 7 dias aplica-se estritamente a procedimentos eletivos onde o risco de sangramento supera o benefício da manutenção da droga. Em stents farmacológicos modernos, o tempo de endotelização é mais rápido, mas a cautela no primeiro ano permanece a regra de ouro para evitar eventos adversos maiores.
Idealmente, deve-se aguardar pelo menos 6 meses após a implantação de um stent farmacológico de nova geração para realizar cirurgias eletivas não cardíacas, visando reduzir o risco de trombose de stent. Em casos de alto risco isquêmico, esse prazo pode ser estendido para 12 meses, enquanto em casos de alto risco hemorrágico, pode-se considerar a cirurgia após 3 meses.
Em cirurgias de urgência ou emergência, a cirurgia não deve ser adiada. O risco de sangramento deve ser aceito e manejado com técnicas de hemostasia rigorosas. O ácido acetilsalicílico (AAS) deve ser mantido, e o inibidor do P2Y12 (clopidogrel, prasugrel ou ticagrelor) pode ser suspenso imediatamente antes do ato, se o risco hemorrágico for proibitivo.
A suspensão prematura da DAPT, especialmente nos primeiros meses após a angioplastia, é o principal fator de risco para trombose de stent, uma complicação catastrófica frequentemente associada a infarto agudo do miocárdio transmural e alta mortalidade.
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