SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2026
Mulher de 65 anos, com Doença Arterial Coronariana (DAC) e stent farmacológico implantado há 8 meses, em uso de aspirina e clopidogrel, necessita realizar uma cirurgia oftalmológica – vitrectomia que apresenta alto risco hemorrágico. Qual a recomendação da Sociedade Brasileira de Cardiologia quanto ao manejo antiplaquetário neste caso?
Cirurgia alto risco hemorrágico + Stent > 6 meses → Suspende P2Y12, mantém AAS.
Em pacientes com stent farmacológico além do período crítico (>6 meses), cirurgias de alto risco hemorrágico permitem suspender o clopidogrel, mantendo a aspirina.
O manejo perioperatório de pacientes em uso de dupla antiagregação plaquetária (DAPT) exige um equilíbrio delicado entre o risco de trombose do stent e o risco de sangramento cirúrgico. A vitrectomia é considerada uma cirurgia de alto risco hemorrágico devido à impossibilidade de compressão e ao risco de perda visual permanente em caso de sangramento intraocular. Segundo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), para pacientes com stent farmacológico implantado há mais de 6 meses (fase de endotelização avançada), a estratégia mais segura em cirurgias de alto risco hemorrágico é a suspensão do inibidor do receptor P2Y12 (clopidogrel) e a manutenção da aspirina. Essa conduta minimiza o risco de eventos isquêmicos catastróficos sem comprometer excessivamente a hemostasia cirúrgica, garantindo uma abordagem baseada em evidências para o residente de cardiologia e cirurgia.
Geralmente, o clopidogrel deve ser suspenso 5 dias antes de procedimentos com alto risco de sangramento. Para o prasugrel, o prazo recomendado é de 7 dias, e para o ticagrelor, de 3 a 5 dias. A decisão deve sempre considerar o tempo decorrido desde o implante do stent e o risco isquêmico do paciente.
A manutenção da aspirina (AAS) em baixas doses (75-100mg) reduz significativamente o risco de eventos cardiovasculares maiores e trombose de stent. Na maioria das cirurgias não cardíacas, o benefício da proteção contra eventos isquêmicos supera o risco de sangramentos cirúrgicos, exceto em neurocirurgias fechadas.
As diretrizes atuais sugerem um período mínimo de 6 meses para stents farmacológicos em síndromes coronarianas crônicas e 12 meses em síndromes agudas. Em casos de altíssimo risco hemorrágico, esse período pode ser individualizado, mas a suspensão precoce da DAPT deve ser evitada no primeiro mês pós-stent.
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