Pós-Operatório de Duodenopancreatectomia: Prescrição e Cuidados

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025

Enunciado

Mulher 63 anos, 70 kg, hipertensa controlada, não etilista e não tabagista, foi submetida a duodenopancreatectomia cefálica laparotômica no tratamento de tumor periampular, sem complicações perioperatórias. No peroperatório, foi posicionado cateter nasoentérico (CNE) com extremidade distal vários centímetros abaixo da anastomose gastrojejunal. Evoluiu satisfatoriamente no pós-operatório imediato. Assinale a alternativa MAIS ADEQUADA em relação aos itens abaixo, de sua prescrição médica para o 1º dia pós-operatório:

Alternativas

  1. A) Analgésicos endovenosos (EV.): dipirona fixa o cetoprofeno de resgate.
  2. B) Cloridrato de ondansetrona (2 mg/mL) 4ml. diluídos EV lento de 8/8h.
  3. C) Enoxaparina 70 mg por via subcutânea de 12/12h.
  4. D) Jejum por via oral e dieta enteral intermitente por CNE, 200 mL de 3/3 horas.

Pérola Clínica

Pós-op Whipple: Controle rigoroso de náuseas (Ondansetrona) e dor. Jejum inicial é comum no 1º PO.

Resumo-Chave

No pós-operatório imediato de grandes cirurgias abdominais, o controle de náuseas e vômitos é prioritário para evitar deiscências de anastomose e desconforto, utilizando antieméticos de forma profilática ou regular.

Contexto Educacional

A duodenopancreatectomia cefálica é uma das cirurgias mais complexas do trato digestivo. O manejo pós-operatório exige vigilância rigorosa de balanço hídrico, drenos e controle sintomático. A ondansetrona, um antagonista 5-HT3, é amplamente utilizada pela sua eficácia e baixo perfil de efeitos colaterais. A profilaxia de tromboembolismo venoso (TEV) é mandatória devido ao caráter oncológico e ao tempo cirúrgico prolongado, mas as doses devem ser estritamente profiláticas para evitar sangramentos nas áreas de anastomose.

Perguntas Frequentes

Por que o controle de náuseas é tão crítico na duodenopancreatectomia?

A cirurgia de Whipple envolve múltiplas anastomoses complexas (pancreatojejunal, hepatojejunal e gastrojejunal). Episódios de vômitos aumentam a pressão intra-abdominal e podem causar estresse mecânico sobre essas suturas, elevando o risco de deiscências e fístulas, além de aumentar o risco de broncoaspiração.

Qual a conduta nutricional no 1º dia pós-operatório?

Embora protocolos modernos como o ERAS sugiram nutrição precoce, em cirurgias de grande porte como a duodenopancreatectomia, o 1º PO costuma ser de transição. O jejum oral é mantido até a estabilização e retorno do peristaltismo. A dieta enteral, se iniciada, deve ser muito lenta e contínua, não intermitente em grandes volumes (como 200ml 3/3h), para evitar distensão e dumping.

Como deve ser feita a analgesia nesse perfil de paciente?

A analgesia deve ser multimodal, combinando analgésicos simples (dipirona) de horário com opioides ou anti-inflamatórios de resgate, dependendo da função renal e risco de sangramento. O objetivo é manter o paciente confortável para deambulação precoce e fisioterapia respiratória, reduzindo complicações pulmonares.

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