SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024
Um paciente de 60 anos de idade foi admitido no hospital com um diagnóstico de câncer de pâncreas localmente avançado, que envolve a cabeça do pâncreas. Para resolução do caso, a equipe médica decidiu realizar uma pancreatectomia para tentar remover o tumor. No pré-operatório, seus sinais vitais apresentavam PA = 140 mmHg x 80 mmHg, FC = 90 bpm, FR = 18 irpm e temperatura = 37 °C. Qual é a conduta mais apropriada em relação à técnica cirúrgica a ser utilizada?
Tumor na cabeça do pâncreas → Duodenopancreatectomia (Cirurgia de Whipple).
A ressecção de tumores na cabeça pancreática exige a remoção do duodeno e parte do colédoco devido ao suprimento sanguíneo compartilhado, seguida de reconstrução complexa.
O câncer de pâncreas é uma das neoplasias mais agressivas, com o adenocarcinoma ductal representando a maioria dos casos. A localização na cabeça do pâncreas é a mais comum e frequentemente se manifesta com icterícia obstrutiva indolor (sinal de Courvoisier-Terrier). O estadiamento preciso é fundamental para determinar a ressecabilidade, avaliando a relação do tumor com a artéria mesentérica superior, veia mesentérica superior e tronco celíaco. A técnica cirúrgica padrão para tumores cefálicos é a duodenopancreatectomia. Este procedimento é altamente complexo e deve ser realizado em centros de alto volume para reduzir a morbimortalidade. A reconstrução exige três anastomoses principais para restaurar o trânsito biliar, pancreático e digestivo. Em casos localmente avançados, a discussão em comitê multidisciplinar é essencial para decidir entre neoadjuvância ou cirurgia direta.
A cirurgia de Whipple, ou duodenopancreatectomia, é indicada para tumores localizados na cabeça do pâncreas, processo uncinado ou região periampular que sejam considerados ressecáveis ou borderline ressecáveis após avaliação por imagem (TC de abdome com protocolo para pâncreas). O objetivo é a ressecção R0, removendo a cabeça pancreática, duodeno, parte do colédoco e, por vezes, o antro gástrico, seguida de reconstruções pancreatojejunal, hepatojejunal e gastrojejunal.
As complicações são frequentes devido à complexidade técnica. A fístula pancreática é a mais temida, ocorrendo quando há vazamento de suco pancreático na anastomose pancreatoentérica. Outras complicações incluem o retardo do esvaziamento gástrico, hemorragia pós-operatória, infecções de sítio cirúrgico e insuficiência pancreática exócrina ou endócrina a longo prazo, exigindo acompanhamento multidisciplinar rigoroso.
Para tumores localmente avançados ou borderline ressecáveis, a quimioterapia neoadjuvante (frequentemente com esquemas como FOLFIRINOX ou Gemcitabina/Nab-paclitaxel) visa reduzir a carga tumoral, aumentar as taxas de ressecção R0 e tratar micrometástases precocemente. Se houver resposta favorável e o tumor se tornar ressecável sem invasão vascular impeditiva, a cirurgia de Whipple é então realizada.
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