FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2025
Assinalar a alternativa incorreta:
Metástase hepática no câncer de pâncreas = Doença M1 (Contraindicação para Whipple).
A presença de metástases hepáticas, mesmo que escassas, define doença sistêmica e contraindica a duodenopancreatectomia devido à ausência de benefício em sobrevida.
A duodenopancreatectomia é um dos procedimentos mais complexos da cirurgia digestiva. Suas indicações clássicas incluem neoplasias da cabeça do pâncreas e periampulares. A avaliação da ressecabilidade é o passo mais crítico, baseada em critérios anatômicos (invasão vascular) e biológicos (presença de metástases). Linfonodos fora do campo de ressecção padrão, como no hilo hepático (N2) ou a presença do linfonodo de Virchow (supraclavicular), indicam doença metastática. A dor lombar em tumores de corpo e cauda sugere invasão do plexo celíaco ou retroperitônio, frequentemente associada a prognóstico reservado. O avanço das técnicas de reconstrução venosa permitiu que alguns tumores antes considerados irressecáveis por invasão de veia porta sejam agora operados, mas a doença metastática permanece uma contraindicação absoluta.
Diferente do câncer colorretal, onde a ressecção de metástases hepáticas pode ser curativa, o adenocarcinoma de pâncreas com metástase hepática é considerado doença sistêmica (Estádio IV). A duodenopancreatectomia é uma cirurgia de alta morbidade e, nesse cenário, não oferece ganho de sobrevida global, sendo o tratamento de escolha a quimioterapia paliativa. Portanto, mesmo 'até duas metástases' tornam o caso inoperável com intuito curativo.
Os sinais radiológicos de irressecabilidade incluem o envolvimento de estruturas vasculares arteriais (contato > 180° com a artéria mesentérica superior ou tronco celíaco) e a oclusão venosa (veia porta ou veia mesentérica superior) sem possibilidade de reconstrução. A presença de ascite carcinomatosa ou implantes peritoneais também impede o procedimento.
Tumores periampulares são aqueles que se originam na cabeça do pâncreas, na ampola de Vater (papila duodenal), no colédoco distal ou no duodeno. Para todos esses tumores localizados na região cefálica, a duodenopancreatectomia (Cirurgia de Whipple) é o tratamento cirúrgico padrão, consistindo na remoção da cabeça do pâncreas, duodeno, parte do jejuno, colédoco distal e vesícula biliar.
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