MedEvo Simulado — Prova 2026
Manuela, 14 anos, é levada ao consultório ginecológico por sua mãe devido a episódios de dor pélvica cíclica de forte intensidade nos últimos quatro meses, sem história de menarca. Ao exame físico, apresenta desenvolvimento de caracteres sexuais secundários compatíveis com estágio de Tanner M4P4. A inspeção da genitália externa é normal, porém o toque retal sugere uma massa compressiva em região vaginal. A ultrassonografia pélvica revela a presença de dois colos uterinos e dois corpos uterinos distintos, além de uma coleção líquida espessa em uma das cavidades vaginais, sugerindo hematocolpos unilateral por septo vaginal longitudinal obstrutivo em uma das hemi-vaginas. Com base nos conhecimentos de embriologia do trato genital feminino, assinale a alternativa correta.
Falha na fusão lateral dos ductos de Müller → Duplicidade uterina e cervical (Útero Didelfo).
As malformações müllerianas decorrem de falhas na formação, fusão ou reabsorção do septo dos ductos paramesonéfricos, resultando em anomalias anatômicas como útero didelfo ou septado.
O conhecimento da embriologia é crucial para diagnosticar malformações genitais. Os ductos paramesonéfricos (Müller) são os protagonistas na formação do trato superior feminino. Quando ocorre uma falha na fusão desses ductos, surgem as anomalias de duplicidade, como o útero bicorno ou didelfo. Se a falha for na reabsorção do septo após a fusão, surge o útero septado. Clinicamente, pacientes com útero didelfo e septo vaginal obstrutivo (como na Síndrome de OHVIRA) apresentam-se após a menarca com dor pélvica cíclica severa devido ao hematocolpos/hematometra unilateral, apesar de apresentarem menstruação aparente pelo lado não obstruído. O diagnóstico diferencial com outras causas de dor pélvica na adolescência é fundamental para evitar danos à fertilidade futura.
Os ductos paramesonéfricos, ou ductos de Müller, são estruturas embrionárias que, na ausência do Hormônio Antimülleriano (AMH) e da testosterona (típico do desenvolvimento feminino), dão origem às tubas uterinas, ao útero, à cérvice e ao terço superior da vagina. Sua correta fusão e posterior reabsorção do septo central são fundamentais para a formação de uma cavidade uterina única.
O útero didelfo ocorre devido a uma falha completa na fusão lateral dos dois ductos paramesonéfricos. Como resultado, cada ducto se desenvolve de forma independente, levando à formação de dois corpos uterinos e dois colos uterinos (duplicidade completa). Frequentemente, essa condição está associada a um septo vaginal longitudinal, que pode ser obstrutivo em um dos lados.
A vagina possui uma origem embriológica dupla. O terço superior deriva da fusão das extremidades caudais dos ductos paramesonéfricos (Müller). Já os dois terços inferiores originam-se do seio urogenital, através da placa vaginal. A junção dessas duas estruturas completa o canal vaginal, e falhas nesse processo podem gerar septos transversos ou agenesia vaginal segmentar.
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