CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2008
Sobre os movimentos oculares, é correto afirmar que:
Duções = monocular; Versões = binocular conjugado; Vergências = binocular disjuntivo.
A avaliação da motilidade ocular exige a distinção entre movimentos monoculares (duções) e binoculares (versões e vergências) para diferenciar paralisias de restrições musculares.
O estudo da motilidade ocular é a base da estrabologia. O médico deve dominar a fisiologia dos seis músculos extraoculares e as leis de inervação para localizar lesões neurológicas ou musculares. As duções avaliam a força muscular máxima, enquanto as versões avaliam o equilíbrio binocular. Clinicamente, se um paciente apresenta limitação de movimento em versões, mas a dução é normal, suspeita-se de um problema de inervação supranuclear ou desequilíbrio binocular. Se a limitação persiste na dução, a causa é tipicamente infranuclear (paralisia do nervo) ou mecânica (restrição).
As duções são movimentos monoculares, ou seja, a avaliação de apenas um olho por vez, com o outro olho ocluído. Elas testam a integridade dos músculos extraoculares e dos nervos cranianos (III, IV e VI) de forma isolada. Durante o exame, avaliam-se a abdução, adução, supradução, infradução, inciclodução e exciclodução. É o primeiro passo para diferenciar se uma limitação de movimento é decorrente de uma paralisia nervosa ou de um processo restritivo mecânico, como na oftalmopatia de Graves ou fraturas de assoalho de órbita.
Ambos são movimentos binoculares, mas diferem na direção. As versões são movimentos binoculares conjugados, onde os dois olhos se movem simultaneamente na mesma direção (ex: dextroversão, levoversão). Elas seguem a Lei de Hering, que afirma que a inervação é enviada em quantidades iguais para os músculos sinergistas (yoke muscles). Já as vergências são movimentos binoculares disjuntivos, onde os olhos se movem em direções opostas para manter a binocularidade, como na convergência (ambos para dentro) ou divergência (ambos para fora).
A Lei de Hering da correspondência motora estabelece que, durante qualquer movimento ocular binocular, uma quantidade igual de estímulo nervoso é enviada aos músculos de ambos os olhos que agem como pares sinergistas (músculos 'yoke'). Por exemplo, ao olhar para a direita (dextroversão), o reto lateral do olho direito e o reto medial do olho esquerdo recebem inervação simultânea e equivalente. Essa lei é fundamental para entender o desvio secundário maior que o primário em casos de estrabismo paralítico.
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