Disenteria na Infância: Diagnóstico e Agentes Etiológicos

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2022

Enunciado

Duas meninas, uma de 3 e outra de 8 anos de idade, são atendidas na UPA com quadro de náuseas, vômitos, dor abdominal e diarreia há, aproximadamente, 4 horas. As fezes são líquidas, com rajas de sangue e “incontáveis episódios”. Há relato de que, há 3 dias, haviam almoçado em um bufê e comeram frango assado e salada de maionese. Os pais, que haviam comido o frango, mas não a maionese, negam alterações. Ao exame, ambas estavam hipoativas, com salivação reduzida. Temperatura da criança maior: 37,8°C; e da criança menor: 38,2°C.Diante da situação descrita, identifique a classificação da diarreia e o agente etiológico mais frequente.

Alternativas

  1. A) Diarreia Aquosa – Cryptosporidium.
  2. B) Diarreia Aquosa – Salmonella.
  3. C) Disenteria – Shigella.
  4. D) Disenteria – Ameba.

Pérola Clínica

Diarreia + sangue/muco = Disenteria → Principal agente em crianças: Shigella.

Resumo-Chave

A presença de sangue nas fezes define o quadro como disenteria. Em crianças com febre e múltiplos episódios, a Shigella é o patógeno bacteriano mais frequente e agressivo.

Contexto Educacional

A diarreia aguda é uma das principais causas de morbidade infantil. A diferenciação entre diarreia aquosa e disenteria é o primeiro passo para o manejo adequado. Enquanto a diarreia aquosa foca na reidratação, a disenteria exige atenção à invasão tecidual e inflamação sistêmica. O caso clínico apresentado, com febre, hipoatividade e fezes com sangue após consumo de alimentos possivelmente contaminados, é clássico para infecção bacteriana invasiva. Embora a Salmonella também possa causar sangue nas fezes, a Shigella é epidemiologicamente mais prevalente como causa de disenteria isolada em crianças. O tratamento baseia-se na reidratação vigorosa e, conforme protocolos nacionais e internacionais, o uso de antibióticos como ceftriaxona ou azitromicina pode ser necessário para encurtar o curso clínico e prevenir complicações como a síndrome hemolítico-urêmica.

Perguntas Frequentes

O que define clinicamente uma disenteria?

A disenteria é definida pela presença de sangue e/ou muco nas fezes, frequentemente acompanhada de tenesmo, dor abdominal em cólica e febre. Diferente da diarreia aquosa simples, que resulta de mecanismos de má absorção ou secreção, a disenteria indica um processo inflamatório e invasivo da mucosa colônica. Em pediatria, a identificação precoce da disenteria é fundamental, pois frequentemente requer uma abordagem diagnóstica e terapêutica distinta, incluindo a consideração de antibioticoterapia em casos específicos para reduzir a gravidade e a transmissão.

Por que a Shigella é o principal agente suspeito?

A Shigella é altamente infectante, necessitando de uma dose inócula muito baixa (10 a 100 organismos) para causar doença. Ela invade o epitélio do cólon, causando microabscessos e ulcerações, o que explica o sangue e o muco nas fezes. Em crianças, especialmente em idade escolar e pré-escolar, a Shigella é a causa bacteriana mais comum de disenteria em todo o mundo. O quadro clínico costuma ser mais grave que o da Salmonella, apresentando febre alta e, por vezes, manifestações neurológicas como convulsões febris.

Quando indicar antibiótico na diarreia infantil?

A antibioticoterapia não é recomendada rotineiramente para todas as diarreias agudas, que são majoritariamente virais. No entanto, na presença de disenteria (sangue nas fezes) com comprometimento do estado geral, a Organização Mundial da Saúde recomenda o tratamento empírico para Shigella, visando reduzir a duração da doença e a excreção do patógeno. Outras indicações incluem pacientes imunocomprometidos, desnutridos graves ou quando há suspeita de cólera ou infecções sistêmicas por Salmonella. A escolha do antibiótico deve considerar o perfil de resistência local.

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