CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2024
Um paciente apresentou uma indução de hipermetropia após ser submetido a um DSAEK (Descemet Stripping Automated Endotelial Keratoplasty). Assinale a alternativa compatível com esta mudança refracional.
DSAEK → ↑ Curvatura posterior da córnea → Redução do poder dióptrico → Hipermetropia.
O DSAEK induz um desvio hipermetrópico porque a lentícula do doador é mais espessa centralmente, aumentando a curvatura da face posterior da córnea.
O DSAEK revolucionou o tratamento de falências endoteliais (como a Distrofia de Fuchs), mas sua óptica é complexa. A interface entre o estroma do receptor e do doador, somada à mudança no raio de curvatura posterior, altera o índice de refração efetivo. Compreender esse 'shift' hipermetrópico é essencial para o aconselhamento do paciente e para o planejamento cirúrgico de procedimentos combinados.
O DSAEK envolve a inserção de uma lentícula de estroma posterior e endotélio no olho do receptor. Como essa lentícula tende a ser mais espessa no centro do que na periferia (formato de menisco negativo), ela aumenta a curvatura da face posterior da córnea. Como a face posterior tem poder divergente, o aumento de sua curvatura reduz o poder convergente total da córnea, resultando em hipermetropia (geralmente entre +0.50 a +1.50 D).
O DMEK (Descemet Membrane Endothelial Keratoplasty) utiliza apenas a membrana de Descemet e o endotélio, sem estroma. Por ser uma camada extremamente fina e uniforme, o DMEK causa um desvio hipermetrópico significativamente menor ou quase nulo em comparação ao DSAEK, proporcionando resultados visuais mais previsíveis.
Em procedimentos combinados (Triple Procedure), o cirurgião deve visar um alvo miópico no cálculo da LIO (geralmente -1.00 a -1.50 D) para compensar o desvio hipermetrópico esperado induzido pela lentícula do DSAEK.
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