CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2017
Paciente de 50 anos, hipertenso, foi encaminhado para ser avaliados quanto à alteração evidenciada pela figura abaixo. O exame do outro olho é normal, apresentando nervo óptico com escavação de 0,2x0,2. Considerando o diagnóstico mais provável, qual a melhor conduta?
Suspeita de drusas de disco óptico → Autofluorescência (padrão-ouro para lesões superficiais).
Drusas de disco óptico são calcificações que podem simular edema de papila; a autofluorescência detecta o material calcificado sem necessidade de contraste.
O diagnóstico diferencial de um disco óptico elevado é um dos maiores desafios na neuro-oftalmologia. A distinção entre papiledema (emergência médica) e pseudopapiledema por drusas evita internações e procedimentos invasivos como a punção lombar. No caso clínico apresentado, a unilateralidade e a escavação normal no olho contralateral favorecem o diagnóstico de drusas ou outra neuropatia não relacionada à pressão intracraniana. Além da autofluorescência, a ultrassonografia ocular (modo B) é extremamente útil, pois as drusas calcificadas apresentam alta ecogenicidade e sombra acústica posterior. O OCT (Tomografia de Coerência Óptica) também tem ganhado espaço ao mostrar espaços hiporrefletivos com bordas hiper-reflexivas. A educação do paciente sobre sua condição é vital para evitar alarmes falsos em exames oftalmológicos futuros.
Drusas de disco óptico são depósitos acelulares e calcificados localizados na cabeça do nervo óptico. Elas resultam de um metabolismo axonal anormal e transporte axoplasmático alterado. Clinicamente, podem causar uma elevação do disco óptico com margens borradas, simulando um papiledema (edema por hipertensão intracraniana), condição denominada pseudopapiledema. São geralmente bilaterais, mas podem ser assimétricas.
As drusas de disco óptico contêm material que apresenta a propriedade de autofluorescência (emitem luz quando estimuladas por comprimentos de onda específicos, sem uso de contraste). Na retinografia com autofluorescência, as drusas aparecem como pontos brilhantes (hiperautofluorescentes) contra o fundo escuro do nervo. Este é o método mais simples e eficaz para confirmar drusas superficiais, diferenciando-as de edema real, onde não há essa sinalização.
Na maioria dos casos, a conduta é a observação e o acompanhamento periódico. Embora as drusas sejam geralmente benignas, elas podem causar defeitos progressivos no campo visual (por compressão axonal) ou, raramente, complicações vasculares como membranas neovasculares sub-retinianas. Não há tratamento médico ou cirúrgico para as drusas em si; o foco deve ser o monitoramento da função visual e a garantia de que o paciente não seja submetido a investigações neurológicas desnecessárias.
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