CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2012
Com relação às drusas do nervo óptico, podemos afirmar que:
Drusas de disco óptico são a causa mais comum de pseudopapiledema, simulando edema de papila real.
Drusas são depósitos calcificados hialinos que elevam o disco óptico; em crianças, são frequentemente profundas, dificultando o diagnóstico diferencial com papiledema.
As drusas do nervo óptico representam um desafio diagnóstico importante na neuro-oftalmologia. Elas são geralmente bilaterais e podem ser herdadas de forma autossômica dominante. A diferenciação entre pseudopapiledema (causado por drusas) e papiledema verdadeiro é crucial para evitar condutas errôneas em situações de emergência. Para o médico residente, o reconhecimento das características clínicas — como a ausência de hiperemia papilar, ausência de obscurecimentos visuais transitórios e a presença de vasos anômalos (trifurcações precoces) — ajuda a guiar o diagnóstico antes mesmo da realização de exames complementares como a ultrassonografia.
As drusas do nervo óptico são depósitos de material hialino e cálcio localizados na cabeça do nervo óptico. Quando superficiais, são facilmente identificadas como corpos amarelados e brilhantes. No entanto, na infância, elas costumam ser 'enterradas' ou profundas, não sendo visíveis à oftalmoscopia direta. Nesses casos, elas elevam o disco óptico e borram suas margens, mimetizando perfeitamente um papiledema (edema de papila por hipertensão intracraniana). Essa confusão diagnóstica é frequente e muitas vezes leva a investigações neurológicas desnecessárias e invasivas.
O padrão-ouro para a detecção de drusas do nervo óptico, especialmente as profundas, é a ultrassonografia ocular modo B. Devido à sua composição calcificada, as drusas são altamente hiperecogênicas e produzem uma sombra acústica posterior característica, mesmo com o ganho do aparelho reduzido. Outro exame extremamente útil é a autofluorescência de fundo, pois as drusas superficiais apresentam uma autofluorescência natural intensa. A Tomografia de Coerência Óptica (OCT) também auxilia na visualização de massas hiporrefletivas com bordas hiper-refletivas na cabeça do nervo.
Sim, embora a maioria dos pacientes seja assintomática e mantenha uma boa acuidade visual central, defeitos de campo visual são comuns e ocorrem em até 75-90% dos casos de drusas visíveis. Os defeitos mais frequentes são o aumento da mancha cega e defeitos arqueados, semelhantes aos do glaucoma. A perda visual ocorre devido à compressão mecânica das fibras nervosas e ao comprometimento vascular local causado pelo acúmulo progressivo do material das drusas. Complicações raras, mas graves, incluem membranas neovasculares sub-retinianas peripapilares e neuropatia óptica isquêmica anterior.
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