CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2019
Paciente encaminhado por suspeita de edema de papila. Apresenta os seguintes aspectos fundoscópico e ultrassonográfico na região do disco óptico, Assinale a alternativa correta:
Drusas de disco óptico → Hiperautofluorescentes e hiperecogênicas (calcificadas) na USG.
Drusas profundas simulam edema de papila (pseudopapiledema); a autofluorescência e a USG (sinal de cálcio) são fundamentais para o diagnóstico diferencial.
O diagnóstico diferencial de um disco óptico elevado é um dos desafios mais comuns na neuro-oftalmologia. O termo 'pseudopapiledema' refere-se a condições que simulam o edema de papila, sendo as drusas de disco a causa mais frequente. Diferente do papiledema verdadeiro, que indica hipertensão intracraniana, as drusas são anomalias estruturais congênitas. A utilização da autofluorescência e da ultrassonografia permite um diagnóstico rápido e seguro à beira do leito ou no consultório. Identificar corretamente as drusas evita investigações neurocirúrgicas desnecessárias, punções lombares e tratamentos agressivos como a pulsoterapia, que não têm indicação nesses casos.
As drusas de disco óptico são compostas por depósitos acelulares de material proteico e cálcio que se acumulam na cabeça do nervo óptico. Esses depósitos possuem propriedades de autofluorescência intrínseca (devido a componentes como a lipofuscina e o próprio cálcio), brilhando intensamente no exame de autofluorescência sem a necessidade de contraste, o que as diferencia do edema de papila verdadeiro.
Na ultrassonografia ocular (Modo B), as drusas de disco aparecem como estruturas altamente hiperecogênicas (brilhantes) localizadas na cabeça do nervo óptico. Devido à sua composição calcificada, elas persistem visíveis mesmo quando o ganho do aparelho é reduzido (sinal de persistência), o que é um marcador diagnóstico altamente específico para drusas.
Embora geralmente benignas, as drusas de disco podem causar perda progressiva de fibras nervosas, resultando em defeitos de campo visual (como arqueados ou aumento da mancha cega). Complicações raras, mas graves, incluem a neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA) e o desenvolvimento de membranas neovasculares sub-retinianas peripapilares.
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