Drenos Abdominais: Tipos, Mecanismos e Indicações Cirúrgicas

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2020

Enunciado

O uso de drenos abdominais remete ao princípio da atividade cirúrgica, onde o preceito fundamental era com que secreções não se acumulassem no interior das cavidades sendo aplicados profilaticamente afim de evitar infecções ou direcionar fistulas digestivas secundárias à anastomoses digestivas. Estudos observacionais passaram a questionar a aplicação preventiva dos drenos e com o passar dos tempos, alguns dogmas vem sendo derrubados. Referente aos drenos abdominais julgue a alternativa incorreta:

Alternativas

  1. A)  Drenos laminares como Easy Flow (popularmente conhecido como Penrose Siliconado) apresentam capacidade de drenagem por capilaridade. O acúmulo da secreção em sistemas coletores improvisados como bolsas de colostomias podem gerar um inconveniente de levar os líquidos para dentro da cavidade.
  2. B)  Drenos de Blake e Jackson-Pratt são considerados drenos tubulares puros e não possuem sistemas de sucção.
  3. C)  Em procedimentos como esvaziamento axilar e tireoidectomia, a aplicação do dreno tipo Porto-Vac possui função de evacuações de linfa e de vigilância/evacuação de sangramentos pós-operatórios, respectivamente.
  4. D)  O uso de drenos sem sistema de sucção necessita que o posicionamento seja correto e que o paciente apresente movimentação/mobilização adequados no leito e durante a deambulação.

Pérola Clínica

Drenos de Blake e Jackson-Pratt são tubulares e funcionam por sucção, não são 'puros' sem sucção.

Resumo-Chave

A alternativa B está incorreta porque os drenos de Blake e Jackson-Pratt são, de fato, drenos tubulares, mas são sistemas de drenagem por sucção (fechados), e não drenos 'puros' sem sucção. Drenos sem sucção seriam os laminares como o Penrose.

Contexto Educacional

O uso de drenos cirúrgicos é uma prática antiga na cirurgia, com o objetivo principal de evitar o acúmulo de fluidos em cavidades e espaços cirúrgicos, prevenindo complicações como infecções e fístulas. Existem diversos tipos de drenos, classificados principalmente pelo seu mecanismo de ação e estrutura, sendo os mais comuns os laminares e os tubulares. Drenos laminares, como o Penrose, atuam por capilaridade, permitindo que o fluido escoe por entre suas paredes e o tecido circundante. Já os drenos tubulares, como Jackson-Pratt, Blake e Porto-Vac, são sistemas fechados que operam por sucção, seja ela ativa (com vácuo) ou passiva (por gravidade). A escolha do dreno depende da finalidade, do volume esperado de drenagem e da localização anatômica. Apesar de sua utilidade, o uso profilático de drenos tem sido reavaliado, pois podem estar associados a complicações como infecção ascendente, dor e hérnias no local de inserção. Residentes devem dominar a indicação correta, a técnica de inserção e remoção, e o manejo adequado dos drenos para otimizar os resultados cirúrgicos e minimizar riscos aos pacientes.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre drenos laminares e tubulares?

Drenos laminares (ex: Penrose) funcionam por capilaridade e são abertos, drenando para um curativo. Drenos tubulares (ex: Jackson-Pratt, Blake) são fechados, funcionam por sucção (ativa ou passiva) e coletam o fluido em um reservatório.

Como funcionam os drenos de Jackson-Pratt e Blake?

Os drenos de Jackson-Pratt e Blake são drenos tubulares que funcionam por sucção ativa. Eles são conectados a um reservatório que cria um vácuo, aspirando fluidos da cavidade cirúrgica.

Quando é indicado o uso de drenos cirúrgicos?

Drenos são indicados para evacuar coleções (sangue, linfa, pus), prevenir acúmulos que possam levar a infecções, ou monitorar vazamentos de anastomoses, embora seu uso profilático seja cada vez mais questionado.

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