HC ICC - Hospital do Câncer - Instituto do Câncer do Ceará — Prova 2025
A drenagem torácica em selo d'água é uma intervenção crucial em diversos contextos clínicos, especialmente em casos de pneumotórax ou derrame pleural. Dentre as situações apresentadas, qual delas NÃO constitui um critério para a indicação de drenagem torácica em selo d'água?
Líquido purulento, pH < 7.2, glicose < 40-60 ou Gram/cultura (+) → Drenagem torácica (selo d'água).
Derrames pleurais por insuficiência cardíaca são transudatos e devem ser tratados com a compensação da doença de base. A drenagem torácica é reservada para exsudatos complicados, empiemas ou pneumotórax volumosos/sintomáticos.
A drenagem torácica em selo d'água é um procedimento cirúrgico fundamental para o manejo de patologias do espaço pleural. A decisão de drenar deve ser baseada em critérios clínicos, radiológicos e, crucialmente, na análise bioquímica e microbiológica do líquido pleural obtido por toracocentese diagnóstica. Os critérios de Light são o primeiro passo para diferenciar transudatos de exsudatos, mas é a análise do pH, glicose e celularidade que define a necessidade de drenagem nos casos de exsudatos inflamatórios. No contexto de infecções pulmonares, o derrame parapneumônico evolui em três fases: exsudativa, fibrinopurulenta e de organização. A drenagem é mais eficaz nas fases iniciais. É vital que o médico diferencie o derrame por congestão (IC), que é bilateral e responde a diuréticos, do derrame complicado, que geralmente é unilateral e apresenta sinais inflamatórios. O erro na indicação pode levar a complicações graves, enquanto o atraso na drenagem de um empiema pode resultar em encarceramento pulmonar e necessidade de cirurgias de grande porte.
Um derrame pleural parapneumônico é considerado 'complicado' e requer drenagem torácica quando a análise do líquido pleural revela: pH inferior a 7,20, nível de glicose abaixo de 40-60 mg/dL ou desidrogenase lática (DHL) superior a 1000 UI/L. Além dos critérios bioquímicos, a presença de pus macroscópico (empiema), a visualização de bactérias no Gram ou o crescimento de patógenos na cultura do líquido pleural são indicações absolutas para a colocação de um dreno de tórax em selo d'água. Esses achados indicam que o processo inflamatório é intenso e que o tratamento apenas com antibióticos sistêmicos provavelmente falhará em resolver a coleção.
O derrame pleural na insuficiência cardíaca (IC) é tipicamente um transudato, resultante do desequilíbrio das pressões hidrostática e oncótica, e não de um processo inflamatório ou infeccioso primário da pleura. O tratamento definitivo é a compensação hemodinâmica com diuréticos e otimização da função cardíaca. A drenagem torácica não resolve a causa subjacente e pode levar à perda rápida de proteínas e eletrólitos, além de expor o paciente ao risco de infecção (empiema iatrogênico) e pneumotórax. A toracocentese de alívio só é considerada em casos de derrames volumosos que causam insuficiência respiratória refratária ao tratamento clínico inicial.
O empiema pleural é definido pela presença de líquido purulento no espaço pleural ou pela identificação de microrganismos (através de Gram ou cultura) no líquido pleural. Ele representa o estágio final de um derrame parapneumônico não tratado ou mal controlado. A conduta imediata envolve a drenagem torácica em selo d'água para esvaziamento da coleção e expansão pulmonar, associada à antibioticoterapia venosa de amplo espectro. Em casos de empiemas organizados ou multiloculados, onde a drenagem simples é ineficaz, pode ser necessária a intervenção com fibrinolíticos intrapleurais ou decorticação pulmonar por videotoracoscopia (VATS).
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