Drenagem Pós-Operatória em Cirurgia de Cabeça e Pescoço

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2025

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 60 anos de idade, era portador de câncer de lingua à esquerda e foi submetido à glossectomia parcial associada a esvaziamento cervical esquerdo, em monobloco por via cervical, e abertura do assoalho da boca. A operação transcorreu sem intercorrências e no final do procedimento não havia sinais de vazamento ou sangramento e a ferida apresentava-se limpa. Com relação ao quadro clínico descrito acima, com relação à colocação de dreno na região operada, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) Não há indicação para colocar dreno algum na ferida.
  2. B) Colocar dois drenos de penrose lateralmente na ferida.
  3. C) Colocar um dreno tubular aberto e recoberto por curativo.
  4. D) Colocar um dreno de aspiração contínua em sucção fechada.

Pérola Clínica

Pós-esvaziamento cervical → dreno de aspiração contínua (sucção fechada) para prevenir seroma/hematoma.

Resumo-Chave

Após cirurgias de grande porte na região de cabeça e pescoço, como glossectomia parcial e esvaziamento cervical, a colocação de um dreno de aspiração contínua (sucção fechada) é fundamental para remover fluidos (sangue, linfa, exsudato), prevenir a formação de seromas e hematomas, e otimizar a cicatrização da ferida.

Contexto Educacional

A cirurgia de cabeça e pescoço, especialmente procedimentos como glossectomia parcial e esvaziamento cervical, envolve a dissecção de múltiplos planos teciduais e a manipulação de vasos sanguíneos e linfáticos. Mesmo em cirurgias sem intercorrências e com hemostasia rigorosa, há um risco significativo de acúmulo de fluidos no espaço cirúrgico no pós-operatório. A formação de seromas (acúmulo de líquido seroso) e hematomas (acúmulo de sangue) é uma complicação comum que pode atrasar a cicatrização, aumentar o risco de infecção, causar dor e, em casos de grandes volumes, comprometer a via aérea ou a função nervosa. Para prevenir essas complicações, a drenagem cirúrgica é uma prática padrão. A colocação de um dreno de aspiração contínua em sucção fechada (ex: dreno de Jackson-Pratt ou Portovac) é a técnica preferencial em cirurgias de cabeça e pescoço. Este tipo de dreno permite a remoção ativa e quantificável de fluidos, mantendo os tecidos coaptados e reduzindo o espaço morto. A decisão de remover o dreno é baseada no volume de drenagem diária, que geralmente deve ser inferior a um valor predeterminado (ex: 20-30 mL/24h), e na ausência de sinais de complicação.

Perguntas Frequentes

Qual a principal função do dreno de aspiração contínua após cirurgia de cabeça e pescoço?

A principal função é remover o acúmulo de fluidos (sangue, linfa, exsudato) da área cirúrgica, prevenindo a formação de seromas e hematomas, que podem comprometer a cicatrização e aumentar o risco de infecção.

Por que um dreno de sucção fechada é preferível a um dreno de Penrose em cirurgias cervicais?

Drenos de sucção fechada (como o Portovac ou Jackson-Pratt) oferecem aspiração contínua e quantificável, sendo mais eficazes na remoção de grandes volumes de fluido e na manutenção da coaptação dos tecidos, ao contrário dos drenos de Penrose, que são de drenagem passiva.

Quais são as complicações associadas à não utilização de drenagem adequada após esvaziamento cervical?

A ausência de drenagem adequada pode levar à formação de seroma, hematoma, infecção da ferida, deiscência da sutura e, em casos graves, compressão de estruturas vitais no pescoço.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo