Drenagem na Apendicite Aguda: Quando é Necessária?

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019

Enunciado

Um paciente de dezoito anos de idade foi ao serviço de emergência e relatou sentir dor em fossa ilíaca direita há três dias, acompanhada de anorexia e febre. Ao exame físico, apresentou dor à palpação de fossa ilíaca direita, com descompressão brusca positiva. Considerando esse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a situação em que se deve drenar a cavidade abdominal durante a cirurgia videolaparoscópica para tratamento da apendicite aguda.

Alternativas

  1. A) nas autólises do apêndice vermiforme
  2. B) quando há presença de líquido livre abdominal
  3. C) quando há peritonite em gestantes
  4. D) quando a drenagem está reservada para reoperação
  5. E) quando há sepse grave

Pérola Clínica

Drenagem abdominal em apendicite aguda é reservada para abscesso residual ou sepse grave, não para líquido livre simples.

Resumo-Chave

A drenagem da cavidade abdominal na apendicectomia laparoscópica para apendicite aguda não é rotineira. Ela é indicada em situações específicas, como a presença de abscesso residual ou sepse grave com foco infeccioso não totalmente controlado, ou em casos de autólise do apêndice, que sugere um processo inflamatório mais avançado e necrótico.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é uma das emergências cirúrgicas abdominais mais comuns, e a apendicectomia laparoscópica é o padrão-ouro para seu tratamento. A decisão de drenar a cavidade abdominal é um ponto crítico e frequentemente debatido, com implicações diretas no pós-operatório e na morbidade do paciente. A fisiopatologia da apendicite envolve a obstrução do lúmen apendicular, levando à inflamação, isquemia, necrose e, eventualmente, perfuração. A presença de líquido livre ou peritonite localizada é comum em casos mais avançados. No entanto, a drenagem profilática não é recomendada, pois estudos mostram que ela não reduz a incidência de abscessos intra-abdominais e pode até aumentá-los, além de prolongar o tempo de internação. As indicações para drenagem são restritas a situações de abscesso residual bem definido que não pode ser completamente aspirado, ou em casos de sepse grave com contaminação maciça e foco infeccioso persistente. A autólise do apêndice, que implica necrose tecidual, também pode ser uma indicação. Para residentes, é vital entender que a drenagem não é uma medida de rotina, mas uma intervenção específica para complicações selecionadas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da apendicite aguda?

A apendicite aguda tipicamente começa com dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, acompanhada de anorexia, náuseas, vômitos e febre baixa. O exame físico revela dor à palpação em fossa ilíaca direita e descompressão brusca positiva.

Em que situações a drenagem abdominal é indicada na apendicite?

A drenagem abdominal é indicada principalmente na presença de um abscesso apendicular residual, em casos de sepse grave com foco infeccioso não totalmente controlado, ou quando há autólise do apêndice, sugerindo necrose tecidual extensa e risco de coleção.

A presença de líquido livre abdominal na apendicite requer drenagem?

Não necessariamente. A presença de líquido livre purulento ou inflamatório é comum na apendicite complicada. Geralmente, a lavagem da cavidade abdominal e a apendicectomia são suficientes, e a drenagem profilática não é recomendada, pois pode aumentar o risco de infecção da ferida e hérnias.

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