DPOC GOLD D: Tratamento de Manutenção e Eosinofilia Sanguínea

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 52 anos de idade, tabagista de 60 maços/ano, procura o ambulatório por tosse produtiva e dispneia progressiva há dois anos. Atualmente, não é capaz de deambular mais de 100 metros no plano sem parar. No último ano, procurou o prontosocorro duas vezes por piora da dispneia, aumento da expectoração e tosse, sendo sempre medicada com inalação e corticoide por via oral. Apresentou espirometria realizada recentemente, que evidenciou distúrbio ventilatório obstrutivo sem resposta ao broncodilatador, com capacidade vital forçada pós-broncodilatador inferior a 0,7. Além disso, apresentou também hemograma, cuja única alteração foi a contagem total de eosinófilos em 600/mm³ . Qual é o tratamento medicamentoso de manutenção que deve ser iniciado neste momento?

Alternativas

  1. A) Beta-2-agonista inalatório de longa ação.
  2. B) Antagonista muscarínico inalatório de longa ação.
  3. C) Corticoide inalatório e beta-2-agonista inalatório de longa ação.
  4. D) Antagonista muscarínico inalatório de curta ação.
  5. E) Beta-2-agonista inalatório de curta ação.

Pérola Clínica

DPOC GOLD D + eosinofilia >300/mm³ → considerar LABA/ICS ou terapia tripla (LABA/LAMA/ICS).

Resumo-Chave

Pacientes com DPOC grave (GOLD D) e eosinofilia sanguínea elevada (>300 células/mm³) têm maior probabilidade de responder a corticoides inalatórios. A combinação de corticoide inalatório (ICS) e beta-2-agonista de longa ação (LABA) é uma terapia de manutenção eficaz para reduzir exacerbações e melhorar a função pulmonar neste subgrupo.

Contexto Educacional

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição progressiva e debilitante, frequentemente associada ao tabagismo, caracterizada por limitação do fluxo aéreo não totalmente reversível. Sua prevalência é alta e representa uma causa significativa de morbidade e mortalidade global. O manejo adequado é crucial para melhorar a qualidade de vida, reduzir sintomas e prevenir exacerbações. A classificação GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease) estratifica os pacientes com DPOC com base na gravidade da obstrução do fluxo aéreo (espirometria) e no risco de exacerbações e sintomas. Pacientes classificados como GOLD D apresentam alto risco de exacerbações e sintomas significativos. A contagem de eosinófilos no sangue tem emergido como um biomarcador importante para guiar a terapia, indicando uma resposta mais favorável aos corticoides inalatórios (ICS) em pacientes com níveis elevados (>300 células/mm³). O tratamento de manutenção para pacientes GOLD D com eosinofilia elevada geralmente envolve a combinação de um beta-2-agonista de longa ação (LABA) e um corticoide inalatório (ICS), podendo ser escalonado para terapia tripla (LABA/LAMA/ICS) se os sintomas persistirem ou houver novas exacerbações. A escolha terapêutica deve ser individualizada, considerando o perfil de risco do paciente, a resposta prévia aos tratamentos e a presença de comorbidades.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para classificar a DPOC como GOLD D?

Os critérios para DPOC GOLD D incluem um escore CAT ≥ 20 ou mMRC ≥ 2, e histórico de ≥ 2 exacerbações moderadas ou ≥ 1 hospitalização por exacerbação no último ano, indicando alto risco e sintomas significativos.

Por que a contagem de eosinófilos é importante no tratamento da DPOC?

A contagem de eosinófilos no sangue é um biomarcador que prediz a resposta aos corticoides inalatórios (ICS) na DPOC. Pacientes com eosinofilia > 300/mm³ têm maior benefício com ICS, reduzindo o risco de exacerbações.

Qual a diferença entre LABA, LAMA e ICS na DPOC?

LABA (beta-2-agonista de longa ação) e LAMA (antagonista muscarínico de longa ação) são broncodilatadores que relaxam as vias aéreas. ICS (corticoide inalatório) é um anti-inflamatório. A combinação é guiada pela gravidade e fenótipo do paciente.

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