DPOC GOLD E: Manejo da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 65 anos, com diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva secundária a tabagismo, apresentando sinto- mas contínuos que impossibilitam a realização de atividades domésticas. Apresentou 3 exacerbações graves nos últimos 6 meses. À espirometria, apresenta VEF1 35% inferior ao previsto. Paciente comparece à consulta ambulatorial, sem manifestações compatíveis com exacerbação, queixando-se de manutenção de dispneia ao repouso e tosse seca. Com base no estadiamento da doença, assinale a alternativa que apresenta a conduta adequada.

Alternativas

  1. A) Beta 2 agonista de curta duração nas exacerbações, corticoesteroide inalatório, corticoesteroide sistêmico por 7 dias e oxigenioterapia domiciliar.
  2. B) Beta 2 agonista de longa duração, corticoesteroide sistêmico por 7 dias e corticoesteroide inalatório.
  3. C) Beta 2 agonista de longa duração, corticoesteroide inalatório e oxigenioterapia domiciliar.
  4. D)  Beta 2 agonista de curta duração, antibioticoterapia profilática.
  5. E) Beta 2 agonista de curta duração nas exacerbações, corticoesteroide inalatório, antibioticoterapia profilática e oxigenioterapia domiciliar.

Pérola Clínica

DPOC GOLD E (VEF1 <50% ou ≥2 exacerbações/1 hospitalização) → LABA + CI + O2 domiciliar se hipoxemia.

Resumo-Chave

A paciente se enquadra no grupo E da classificação GOLD para DPOC, caracterizado por alto risco de exacerbações e sintomas graves (VEF1 <50% do previsto e ≥2 exacerbações moderadas ou ≥1 hospitalização no último ano, ou CAT ≥20/mMRC ≥2). O tratamento inclui broncodilatadores de longa ação (LABA), corticosteroide inalatório (CI) e oxigenioterapia domiciliar se houver hipoxemia crônica.

Contexto Educacional

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição comum, prevenível e tratável, caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e limitação do fluxo aéreo devido a anormalidades das vias aéreas e/ou alveolares, geralmente causadas por exposição significativa a partículas ou gases nocivos. O tabagismo é o principal fator de risco. A DPOC é uma das principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo, sendo um desafio significativo para a saúde pública e a prática clínica. O diagnóstico da DPOC é confirmado pela espirometria, que demonstra limitação persistente do fluxo aéreo (VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador). A classificação GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease) estratifica os pacientes com base na gravidade da obstrução do fluxo aéreo (estágios 1-4) e no risco de exacerbações e impacto dos sintomas (grupos A-E). A paciente do caso, com VEF1 35% do previsto e 3 exacerbações graves, se enquadra no grupo E, indicando doença grave e alto risco. O tratamento da DPOC visa reduzir os sintomas, diminuir a frequência e gravidade das exacerbações e melhorar a tolerância ao exercício e a qualidade de vida. Para pacientes do grupo E, a terapia de manutenção geralmente inclui broncodilatadores de longa ação (LABA e/ou LAMA) e corticosteroides inalatórios (CI), especialmente se houver histórico de exacerbações. A oxigenioterapia domiciliar é crucial para pacientes com hipoxemia crônica, melhorando a sobrevida e a qualidade de vida.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para classificar um paciente com DPOC no grupo E da GOLD?

O grupo E da GOLD inclui pacientes com VEF1 <50% do previsto OU que tiveram ≥2 exacerbações moderadas ou ≥1 hospitalização por exacerbação no último ano, e que apresentam sintomas graves (CAT ≥20 ou mMRC ≥2).

Quando a oxigenioterapia domiciliar é indicada para pacientes com DPOC?

A oxigenioterapia domiciliar está indicada para pacientes com DPOC que apresentam hipoxemia crônica em repouso (PaO2 ≤ 55 mmHg ou SaO2 ≤ 88%), ou PaO2 entre 56-59 mmHg com evidência de cor pulmonale ou policitemia.

Qual a importância do corticoesteroide inalatório no tratamento da DPOC?

O corticoesteroide inalatório (CI) é recomendado em pacientes com DPOC e história de exacerbações, especialmente quando associado a broncodilatadores de longa ação (LABA/LAMA), para reduzir a frequência de exacerbações e melhorar a função pulmonar.

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