FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2025
Um paciente de 64 anos de idade, pedreiro, foi encaminhado para acompanhamento na UBS, após internação hospitalar por pneumonia. Ele relatou tosse seca matinal e dispneia progressiva atualmente, para caminhar no plano. Afirmou ser tabagista de 45 maços/ano. No resumo de alta, constava hemograma com eosinofilia de 380 células/mm3. Realizou‑se a espirometria solicitada pelo médico do hospital que apresentou o seguinte resultado: capacidade vital forçada (CVF) 82% do previsto; volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1): 53%; relação VEF1/CVF: 64% do previsto; e resposta positiva ao broncodilatador. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a classificação do DPOC e a conduta terapêutica adequadas, conforme as recomendações GOLD 2024.
DPOC: VEF1/CVF < 0,7 pós-broncodilatador. Classificação GOLD: VEF1 para grau, sintomas/exacerbações para grupo A-E.
A classificação GOLD para DPOC combina o grau de obstrução do fluxo aéreo (baseado no VEF1 pós-broncodilatador) com a avaliação de sintomas e histórico de exacerbações. Isso permite uma abordagem terapêutica individualizada, que pode incluir broncodilatadores de longa duração e, em casos específicos, corticoides inalatórios.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição progressiva e prevenível, caracterizada por obstrução persistente do fluxo aéreo. A classificação e o manejo da DPOC são guiados pelas diretrizes GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease), que são atualizadas anualmente e fornecem um roteiro para a prática clínica baseada em evidências. A espirometria é o padrão-ouro para o diagnóstico e a avaliação da gravidade da obstrução. A classificação GOLD 2024 integra a gravidade da obstrução (baseada no VEF1 pós-broncodilatador) com a avaliação de sintomas e o histórico de exacerbações para categorizar os pacientes em grupos A, B ou E. O paciente da questão, com VEF1 de 53% (GOLD 2) e dispneia progressiva (sintomas significativos) e histórico de internação por pneumonia (exacerbação grave), se encaixa no grupo E. A eosinofilia de 380 células/mm³ é um marcador importante que sugere uma resposta favorável ao corticoide inalatório. O tratamento da DPOC visa reduzir sintomas e o risco de exacerbações. Para pacientes do grupo E com eosinofilia, a terapia tripla com beta agonista de longa duração (LABA), antimuscarínico de longa duração (LAMA) e corticoide inalatório (CI) é a conduta mais adequada. Essa combinação otimiza o controle dos sintomas e a prevenção de futuras exacerbações, melhorando a qualidade de vida do paciente.
Após o broncodilatador, o VEF1/CVF < 0,7 confirma a obstrução. O grau é determinado pelo VEF1: GOLD 1 (leve) VEF1 ≥ 80%, GOLD 2 (moderado) 50% ≤ VEF1 < 80%, GOLD 3 (grave) 30% ≤ VEF1 < 50%, GOLD 4 (muito grave) VEF1 < 30%.
Os grupos são definidos por sintomas (mMRC ou CAT) e histórico de exacerbações. Grupo A: poucos sintomas, 0-1 exacerbação moderada. Grupo B: muitos sintomas, 0-1 exacerbação moderada. Grupo E: ≥2 exacerbações moderadas ou ≥1 grave, independentemente dos sintomas.
O corticoide inalatório (CI) é recomendado para pacientes com DPOC do grupo E, especialmente aqueles com eosinofilia sanguínea ≥ 300 células/mm³, ou ≥ 100 células/mm³ com múltiplas exacerbações, ou histórico de asma.
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