Manejo da Exacerbação da DPOC: Protocolo de Tratamento

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 68 anos de idade, tabagista ativo (60 maços ao ano), com história de dispneia progressiva aos esforços e tosse crônica produtiva há anos, apresentou piora dos sintomas há dois dias, com aumento da secreção purulenta e cansaço aos mínimos esforços. O exame físico revelou FC-102 bpm, FR-24 irpm, SatO2 = 88% em ar ambiente, murmúrio vesicular reduzido difusamente expiratórios. Qual é a conduta indicada como parte do manejo inicial no caso clínico apresentado?

Alternativas

  1. A) Antibioticoterapia empírica apenas.
  2. B) Internação em unidade de terapia intensiva para suporte ventilatório.
  3. C) Nebulização com salbutamol isolado.
  4. D) Corticosteroides sistêmicos, broncodilatadores oxigenoterapia.

Pérola Clínica

Exacerbação DPOC → Broncodilatadores (SABA/SAMA) + Corticoide sistêmico + O2 alvo 88-92% + Antibiótico se purulência.

Resumo-Chave

O tratamento da exacerbação da DPOC visa reverter a obstrução aguda ao fluxo aéreo, reduzir a inflamação sistêmica e garantir oxigenação segura sem causar hipercapnia.

Contexto Educacional

A exacerbação da DPOC é definida como um agravamento agudo dos sintomas respiratórios que resulta em terapia adicional. É frequentemente desencadeada por infecções respiratórias ou poluentes ambientais. O quadro clínico de aumento de tosse, secreção purulenta e dispneia progressiva em um tabagista crônico é clássico. O manejo inicial deve ser agressivo para evitar a falência respiratória. O uso de corticoides sistêmicos é superior ao inalatório na fase aguda. A antibioticoterapia deve cobrir patógenos comuns como S. pneumoniae, H. influenzae e M. catarrhalis. A avaliação da gasometria arterial é fundamental para guiar a oxigenoterapia e a necessidade de suporte ventilatório.

Perguntas Frequentes

Quais são os pilares do tratamento da exacerbação da DPOC?

Os pilares incluem: 1) Broncodilatadores de curta ação (beta-2 agonistas e anticolinérgicos, como salbutamol e ipratrópio); 2) Corticosteroides sistêmicos (ex: Prednisona 40mg por 5 dias), que reduzem o tempo de recuperação e melhoram a função pulmonar; 3) Oxigenoterapia controlada para manter SatO2 entre 88-92%; e 4) Antibioticoterapia se houver aumento da purulência do escarro associado a aumento da dispneia ou volume de secreção.

Por que o alvo de saturação na DPOC é 88-92%?

Pacientes com DPOC grave podem ser retentores crônicos de CO2, adaptando seus quimiorreceptores para responderem principalmente à hipoxemia (drive hipóxico). Se fornecermos oxigênio em excesso, elevando a SatO2 para 98-100%, o drive respiratório diminui, a ventilação alveolar cai e ocorre piora da hipercapnia e acidose respiratória, além do efeito Haldane e alteração da relação V/Q.

Quando indicar Ventilação Não Invasiva (VNI) na DPOC?

A VNI (preferencialmente BiPAP) está indicada na exacerbação da DPOC quando há acidose respiratória (pH < 7,35) e/ou PaCO2 > 45 mmHg, ou dispneia grave com sinais de fadiga muscular respiratória, apesar do tratamento clínico inicial. A VNI reduz a necessidade de intubação orotraqueal, o tempo de internação e a mortalidade nesses pacientes.

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