PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
Um paciente de 68 anos, com histórico de tabagismo (50 maços/ano), apresenta piora dos sintomas respiratórios há 3 dias, com aumento da tosse, escarro purulento e dispneia progressiva. Ele relata uso inadequado de broncodilatadores e uma visita recente, há cerca de um mês, ao pronto-socorro por exacerbação semelhante. Exames laboratoriais mostram elevação leve de PCR e leucocitose. O paciente apresenta saturação de oxigênio em 89% ao ar ambiente, frequência respiratória de 28 irpm, e frequência cardíaca de 110 bpm. No exame físico, há roncos difusos e sibilos. Você solicita uma gasometria arterial que revela acidose respiratória leve (pH 7,35, pCO2 52 mmHg). Uma radiografia de tórax mostra aumento do diâmetro anteroposterior e ausência de consolidações. Quais os critérios indicam a necessidade de ventilação não invasiva neste paciente?
VNI na DPOC → pH < 7,35 + pCO2 > 45 mmHg + sinais de fadiga ou dispneia grave.
A VNI é o padrão-ouro na exacerbação de DPOC com acidose respiratória, pois reduz o trabalho respiratório, melhora a troca gasosa e diminui a taxa de intubação e mortalidade.
A exacerbação da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é caracterizada pelo aumento da resistência das vias aéreas e hiperinsuflação dinâmica, levando à sobrecarga dos músculos respiratórios. Quando o paciente evolui com acidose respiratória (pH < 7,35), a Ventilação Não Invasiva (VNI) atua fornecendo pressão positiva que auxilia na redução do trabalho inspiratório e na lavagem do CO2. Segundo as diretrizes do GOLD, a VNI deve ser a primeira linha de suporte ventilatório. Ela demonstrou reduzir a necessidade de intubação orotraqueal em até 60% e diminuir significativamente a mortalidade hospitalar. O sucesso da terapia depende da monitorização contínua nas primeiras duas horas, avaliando a melhora do pH, da frequência respiratória e do conforto do paciente.
Os principais critérios gasométricos incluem a presença de acidose respiratória definida por um pH ≤ 7,35 e hipercapnia com pCO2 > 45 mmHg. Esses valores indicam que o paciente não está conseguindo compensar a carga ventilatória imposta pela exacerbação.
Além da gasometria, a clínica é soberana: dispneia grave com uso de musculatura acessória, movimento paradoxal do abdome e frequência respiratória elevada (> 25-30 irpm) são sinais de fadiga iminente que justificam o suporte ventilatório não invasivo.
As contraindicações incluem instabilidade hemodinâmica grave, arritmias ventriculares, rebaixamento do nível de consciência (exceto se for narcose por CO2 passível de melhora rápida), vômitos incoercíveis, trauma facial ou cirurgia gástrica/esofágica recente.
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