UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Homem, 70a, procura Pronto Atendimento com história de 10 dias de tosse, inicialmente seca e agora produtiva, associado à falta de ar progressiva em repouso. Antecedentes pessoais: extabagista (60 anos- maço), sem outras comorbidades. Medicamentos em uso: indacaterol e glicopirrônio regulares há dois anos. Exame físico: oximetria de pulso = 87% em ar ambiente, FR = 24 irpm, PA = 122/84 mmHg, FC = 100 bpm, ausculta pulmonar com roncos esparsos, raros sibilos, sem outras alterações; bulhas cardíacas em dois tempos, sem sopros; edema de membros inferiores +/4+. Exames laboratoriais: leucograma sem leucocitose ou desvio à esquerda, hemoglobina = 16,0g/dL, hematócrito = 50%. PCR = 15 mg/L. Gasometria arterial: pH = 7,33, PaO2 = 60 mmHg, PaCO2 = 58 mmHg, HCO3 = 32mEq/L, saturação de oxigênio = 88%. Radiograma de tórax = hiperinsuflação pulmonar. Considerando as medidas terapêuticas, ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA:
DPOC + Acidose (pH < 7.35) + PaCO2 > 45 → VNI é o padrão-ouro inicial.
O manejo da exacerbação grave com acidose respiratória exige broncodilatadores de curta ação, corticoide sistêmico, antibióticos e suporte com VNI para evitar a intubação orotraqueal.
A exacerbação da DPOC é definida como um agravamento agudo dos sintomas respiratórios que resulta em terapia adicional. Fisiopatologicamente, ocorre um aumento da inflamação das vias aéreas, hipersecreção de muco e aprisionamento de ar, levando à hiperinsuflação dinâmica. Isso aumenta o trabalho respiratório e pode levar à falência da bomba ventilatória (acidose hipercápnica). O tratamento visa reverter a obstrução, tratar a causa base (frequentemente infecciosa) e oferecer suporte ventilatório para reduzir a fadiga diafragmática.
A Ventilação Não Invasiva (VNI) está indicada em pacientes com exacerbação de DPOC que apresentam insuficiência respiratória hipercápnica, caracterizada por pH < 7,35 e/ou PaCO2 > 45 mmHg. Ela também é indicada em casos de dispneia grave com sinais de fadiga muscular ou aumento do trabalho respiratório. A VNI reduz a necessidade de intubação, o tempo de internação e a mortalidade hospitalar nesses pacientes.
O corticoide sistêmico (oral ou venoso) é fundamental no tratamento da exacerbação da DPOC. Ele melhora a função pulmonar (VEF1), reduz o tempo de recuperação e o risco de falha terapêutica. A recomendação atual (GOLD) sugere o uso de Prednisona 40 mg/dia por 5 dias. O uso inalatório em altas doses não substitui o benefício do corticoide sistêmico na fase aguda grave.
Antibióticos devem ser iniciados se houver aumento da purulência do escarro associado a aumento da dispneia ou volume do escarro (Critérios de Anthonisen), ou se o paciente necessitar de ventilação (invasiva ou não). A escolha depende da gravidade e riscos locais, sendo comuns a aminopenicilina com ácido clavulânico, macrolídeos ou quinolonas respiratórias. A cobertura para Pseudomonas é reservada para pacientes com fatores de risco específicos, como colonização prévia ou uso frequente de antibióticos.
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