UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2021
Paciente masculino, 74 anos, ex tabagista, portador de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), com dispneia aos pequenos esforços e duas internações por exacerbação no último ano. Vem em uso de formoterol 12 mcg/dia, budesonida 800 mcg/dia e tiotrópio 5 mcg/dia. Assinale a melhor conduta nesse caso:
DPOC grave com exacerbações frequentes (≥2/ano) apesar de terapia tripla → considerar azitromicina profilática.
Paciente com DPOC grave (dispneia aos pequenos esforços, 2 internações por exacerbação no último ano) e já em terapia tripla (LABA/CI/LAMA) se enquadra no grupo D da GOLD. Nesses casos, a azitromicina em dose baixa e intermitente é recomendada para reduzir a frequência de exacerbações, devido aos seus efeitos imunomoduladores e anti-inflamatórios.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma doença comum, prevenível e tratável, caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e limitação do fluxo aéreo devido a anormalidades das vias aéreas e/ou alveolares, geralmente causadas por exposição significativa a partículas ou gases nocivos. As exacerbações da DPOC são eventos agudos que pioram os sintomas respiratórios e levam a um declínio da função pulmonar e piora da qualidade de vida, sendo um fator importante de morbimortalidade. O paciente em questão, com dispneia aos pequenos esforços e duas internações por exacerbação no último ano, enquadra-se no grupo D da classificação GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease), que são pacientes de alto risco com sintomas mais graves. Ele já está em terapia tripla (LABA/LAMA/CI), que é a terapia máxima para controle broncodilatador e anti-inflamatório. Nesses casos, a estratégia é adicionar terapias que reduzam a frequência de exacerbações. A azitromicina em dose baixa e intermitente (ex: 500 mg 3x/semana ou 250 mg/dia) é uma opção recomendada para pacientes com DPOC grave e exacerbações frequentes, devido aos seus efeitos imunomoduladores e anti-inflamatórios, que vão além da ação antibiótica. Ela tem demonstrado reduzir significativamente a taxa de exacerbações. É importante monitorar os efeitos adversos, como prolongamento do intervalo QT e perda auditiva. A reabilitação pulmonar é sempre indicada para pacientes com DPOC sintomáticos, independentemente da gravidade, para melhorar a capacidade de exercício e a qualidade de vida.
A azitromicina em dose baixa e intermitente é indicada para pacientes com DPOC grave (grupo D da GOLD) que apresentam exacerbações frequentes (≥2 por ano ou ≥1 internação) apesar da terapia broncodilatadora e corticosteroide inalatório otimizada.
Além de seu efeito antibiótico, a azitromicina possui propriedades imunomoduladoras e anti-inflamatórias, reduzindo a produção de citocinas pró-inflamatórias, modulando a resposta imune e diminuindo a colonização bacteriana crônica nas vias aéreas.
Os principais efeitos adversos incluem prolongamento do intervalo QT, risco de arritmias cardíacas, perda auditiva e aumento da resistência bacteriana. É essencial monitorar o ECG e a audição em pacientes em uso prolongado.
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