DPOC Grave: Quando Associar Corticoide Inalatório?

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2021

Enunciado

Caso clínico 1A4-IIUma paciente de 71 anos de idade compareceu à emergência hospitalar com queixa de dispneia progressiva e piora da tosse produtiva havia três dias. Ela era tabagista de 50 anos/maço e morava só, sem limitações para a realização das atividades diárias habituais. Ela relatou ter sido internada em duas outras ocasiões neste mesmo ano, a despeito do uso regular de indacaterol associado ao glicopirrônio. Ao exame físico, apresentava: saturação de oxigênio em ar ambiente (SO2) de 87%, frequência respiratória de 31 irpm, pressão arterial de 108 mmHg × 62 mmHg, frequência cardíaca de 104 bpm e ritmo cardíaco regular em dois tempos sem sopros. A ausculta pulmonar revelou murmúrio vesicular diminuído globalmente, com crepitações em bases. O restante do exame físico não apresentou mudanças significativas. Os exames laboratoriais na admissão revelaram: pH 7,31; pO2 90; pCo2 53; HCO3 24; BE 1 (gasometria arterial em ar ambiente); hemoglobina 12 g%; leucócitos 7200 com 1% bastonetes, 10% de eosinófilos e creatinina 1 mg/dL. A espirometria prévia demonstrou: volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) = 48% do predito (após broncodilatador). Após três nebulizações com fenoterol e ipatrópio, evoluiu com discreta melhora da dispneia, SO2 de 89% e frequência respiratória de 29 irpm.Assinale a opção que apresenta a melhor abordagem terapêutica definitiva para o caso clínico 1A4-II.

Alternativas

  1. A) associar corticoide inalatório
  2. B) iniciar a eritromicina por 30 dias
  3. C) instituir a terapia com oxigênio no período de sono
  4. D) administrar N-acetilcisteína durante quatro semanas

Pérola Clínica

DPOC grave com exacerbações frequentes apesar de LABA/LAMA → Associar corticoide inalatório (ICS).

Resumo-Chave

Em pacientes com DPOC grave (VEF1 < 50%) e histórico de exacerbações frequentes (≥2 moderadas ou ≥1 grave) apesar do uso de broncodilatadores de longa ação (LABA/LAMA), a associação de corticoide inalatório (ICS) é indicada para reduzir o risco de futuras exacerbações. A eosinofilia pode sugerir maior resposta ao ICS.

Contexto Educacional

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição progressiva e debilitante, caracterizada por limitação persistente do fluxo aéreo. As exacerbações agudas da DPOC são eventos críticos que impactam negativamente a qualidade de vida, aceleram o declínio da função pulmonar e aumentam a mortalidade. O manejo adequado visa controlar os sintomas, reduzir o risco de exacerbações e melhorar a capacidade de exercício. Para pacientes com DPOC grave (VEF1 < 50% do predito) que experimentam exacerbações frequentes (duas ou mais moderadas ou uma grave no último ano) apesar da terapia dupla com broncodilatadores de longa ação (LABA e LAMA), a adição de um corticoide inalatório (ICS) à terapia é uma estratégia fundamental. Essa "terapia tripla" demonstrou reduzir significativamente a frequência de exacerbações e melhorar a função pulmonar em subgrupos específicos de pacientes, especialmente aqueles com eosinofilia periférica. É crucial que residentes compreendam as diretrizes de tratamento da DPOC, como as do GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease), que estratificam os pacientes com base nos sintomas e no risco de exacerbações. A decisão de adicionar ICS deve considerar o perfil do paciente, incluindo a contagem de eosinófilos e o risco de pneumonia, para otimizar os benefícios e minimizar os riscos associados ao tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar a associação de corticoide inalatório em pacientes com DPOC?

A associação de corticoide inalatório (ICS) é recomendada para pacientes com DPOC e VEF1 < 50% do predito, que apresentem histórico de duas ou mais exacerbações moderadas ou uma exacerbação grave que necessitou de hospitalização no último ano, apesar do uso de broncodilatadores de longa ação.

Qual o papel dos eosinófilos no manejo da DPOC com corticoide inalatório?

A presença de eosinofilia no sangue periférico (geralmente > 100-300 células/µL) pode indicar uma maior probabilidade de resposta ao tratamento com corticoides inalatórios, sendo um biomarcador útil na decisão terapêutica.

Quais são os riscos associados ao uso de corticoide inalatório em pacientes com DPOC?

Os principais riscos incluem aumento da incidência de pneumonia e candidíase orofaríngea. Por isso, a indicação de ICS deve ser cuidadosamente avaliada, balanceando os benefícios na redução de exacerbações com os potenciais efeitos adversos.

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