FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026
Um paciente de 68 anos de idade, motorista aposentado, relatou que fica acometido por tosse seca matinal e dispneia progressiva atualmente, quando caminha no plano. Era tabagista de 45 maços-ano. O paciente negou internação hospitalar e exacerbação respiratória nos últimos 12 meses. Ele realizou espirometria com o seguinte resultado: capacidade vital forçada (CVF) com 78% do previsto; volume expiratório forçado no primeiro segundo pós-BD (VEF1): 48%; relação VEF1/CVF pós-BD: 64% do previsto; e resposta negativa ao broncodilatador. A partir desse caso clínico hipotético, assinale a opção que apresenta a classificação do DPOC e a conduta terapêutica adequada, conforme as recomendações GOLD 2025.
DPOC Grupo B (mMRC ≥ 2, < 2 exacerbações moderadas) → Iniciar dupla broncodilatação (LAMA + LABA).
Pacientes com DPOC sintomáticos (mMRC ≥ 2) e sem histórico de exacerbações frequentes pertencem ao Grupo B, onde a combinação LAMA+LABA é superior à monoterapia.
A DPOC é definida por sintomas respiratórios persistentes e limitação do fluxo aéreo devido a anormalidades nas vias aéreas ou alveolares. O diagnóstico espirométrico exige VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador. O GOLD 2025 enfatiza a avaliação multidimensional: a gravidade da obstrução (GOLD 1-4) e o risco clínico (Grupos A, B, E). Para o Grupo B, a evidência atual suporta fortemente a combinação de um Antagonista Muscarínico (LAMA) e um Beta-2 Agonista (LABA), como Umeclidínio/Vilanterol ou Tiotrópio/Olodaterol, para otimizar a mecânica respiratória e reduzir o aprisionamento aéreo.
A classificação GOLD 2025 utiliza a história de exacerbações e o nível de sintomas (mMRC ou CAT). O Grupo A tem poucos sintomas (mMRC 0-1) e 0-1 exacerbação moderada. O Grupo B tem muitos sintomas (mMRC ≥ 2) e 0-1 exacerbação moderada. O Grupo E (Exacerbadores) engloba todos os pacientes com ≥ 2 exacerbações moderadas ou ≥ 1 exacerbação que resultou em internação hospitalar, independentemente dos sintomas basais. Esta mudança simplificou os antigos grupos C e D para focar naqueles com maior risco inflamatório e de novos eventos agudos.
A terapia tripla é recomendada principalmente para pacientes do Grupo E que apresentam contagem de eosinófilos no sangue ≥ 300 células/µL. Também pode ser considerada naqueles que continuam a exacerbar apesar da terapia dupla (LABA+LAMA) e possuem eosinófilos ≥ 100 células/µL. O componente corticoide (ICS) visa reduzir a inflamação das vias aéreas e a frequência de exacerbações graves, tendo demonstrado impacto na redução da mortalidade em pacientes com perfil exacerbador e biomarcadores de inflamação eosinofílica presentes.
Para pacientes sintomáticos não exacerbadores (Grupo B), a combinação de dois broncodilatadores de longa ação (LAMA + LABA) é superior à combinação de LABA + ICS na melhora da função pulmonar (VEF1), redução da dispneia e melhora da qualidade de vida. Além disso, o uso de corticoides inalatórios em pacientes que não possuem indicação clara (como asma associada ou eosinofilia) está associado a um aumento significativo do risco de pneumonia bacteriana, candidíase oral e disfonia, sem oferecer proteção adicional contra exacerbações neste fenótipo específico.
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