Tratamento Inicial da DPOC: Quando usar LAMA e LABA

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 75a, comparece em consulta com queixa de tosse crônica há três anos, dispneia aos grandes esforços e episódios de sibilância esporádicos, que melhoram com salbutamol. Nega internações recentes. Antecedentes pessoais: hipertensão arterial, ex-tabagista 35 anos-maço. Exame físico: bom estado geral, eupneico, PA = 142/86 mmHg. Tórax: murmúrio vesicular reduzido globalmente, com sibilos esparsos. Restante do exame físico é normal. Prova de função pulmonar: VEF1 = 65%; VEF1/CVF = 0,7 pós broncodilatador. O tratamento inicial indicado é:

Alternativas

  1. A) Antagonistas muscarínicos de ação curta + agonistas beta adrenérgicos de ação curta.
  2. B) Antagonistas muscarínicos de longa ação + agonistas beta adrenérgicos de longa ação.
  3. C) Agonistas beta adrenérgicos de longa ação + agonistas beta adrenérgicos de ação curta.
  4. D) Agonistas beta adrenérgicos de longa ação + corticoide inalatório.

Pérola Clínica

DPOC sintomático (VEF1/CVF < 0,7) → LAMA + LABA é a terapia de escolha inicial.

Resumo-Chave

Para pacientes com DPOC e sintomas persistentes (dispneia/tosse), a combinação de dois broncodilatadores de longa ação (LAMA+LABA) é superior à monoterapia na melhora da função pulmonar e redução de sintomas.

Contexto Educacional

O manejo da DPOC evoluiu para priorizar a broncodilatação máxima precoce em pacientes sintomáticos. A distinção entre as classes de medicamentos (SABA/SAMA para resgate e LABA/LAMA para manutenção) é fundamental. Este caso destaca um paciente idoso, ex-tabagista, com sintomas obstrutivos clássicos, onde a otimização da função pulmonar com terapia combinada de longa duração visa melhorar a qualidade de vida e prevenir o declínio funcional respiratório.

Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico de DPOC neste paciente?

O diagnóstico de DPOC baseia-se na história clínica de exposição a fatores de risco (ex-tabagista 35 anos-maço), sintomas crônicos (tosse e dispneia) e confirmação por espirometria. O critério espirométrico é a presença de limitação persistente ao fluxo aéreo, definida por uma relação VEF1/CVF < 0,70 após o uso de broncodilatador. No caso, o paciente apresenta VEF1/CVF = 0,7 (no limite) e VEF1 de 65% do previsto, o que o classifica como GOLD 2 (limitação moderada).

Qual a indicação para o uso da combinação LAMA + LABA?

De acordo com as diretrizes GOLD mais recentes, pacientes sintomáticos (geralmente avaliados pelos escores mMRC ≥ 2 ou CAT ≥ 10) devem iniciar tratamento com a combinação de um Antagonista Muscarínico de Longa Ação (LAMA) e um Beta-2 Agonista de Longa Ação (LABA). Esta combinação é mais eficaz que a monoterapia para aumentar o VEF1, reduzir a dispneia e diminuir a taxa de exacerbações. O paciente do caso apresenta dispneia aos esforços e sibilos, justificando a terapia dupla inicial.

Quando o corticoide inalatório deve ser adicionado ao tratamento?

O corticoide inalatório (ICS) não é recomendado como monoterapia na DPOC. Ele deve ser adicionado à terapia com LAMA+LABA (terapia tripla) em pacientes específicos: aqueles com histórico de ≥ 2 exacerbações moderadas ou 1 hospitalização no último ano, e especialmente se a contagem de eosinófilos no sangue for ≥ 300 células/µL. Em pacientes com eosinófilos entre 100-300, o uso pode ser considerado se houver exacerbações frequentes. No paciente do caso, não há relato de exacerbações ou eosinofilia, tornando LAMA+LABA a escolha correta.

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