Gasometria no DPOC: Entenda Hipoxemia e Hipercapnia Crônicas

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2021

Enunciado

Homem, 75 anos de idade, portador de DPOC estádio Il B, em uso regular de tiotrópio e salmeterol, encontra-se estável e comparece em consulta de rotina. Exames laboratoriais: Hb = 18 g/dL (VR: 13,5 — 17,5 g/dL), Htc = 59%. Gasometria arterial em ar ambiente com paciente eupneico: pH = 7,35; PaO2 = 49 mmHg; PaCO2 = 58 mmHg; HCO3 = 31 mEg/L; SpO2 = 85%. O que se pode concluir?

Alternativas

  1. A) Paciente apresenta hipoxemia crônica e hipercapnia aguda.
  2. B) Paciente apresenta hipoxemia e hipercapnia crônicas.
  3. C) Paciente apresenta hipoxemia aguda e hipercapnia crônica.
  4. D) Os resultados são incompatíveis com a estabilidade clínica e será necessário repetir a gasometria.

Pérola Clínica

DPOC com PaO2 ↓, PaCO2 ↑, HCO3 ↑ compensado e pH normal → hipoxemia e hipercapnia crônicas.

Resumo-Chave

A gasometria arterial revela hipoxemia (PaO2 baixa) e hipercapnia (PaCO2 alta). O pH normal (7,35) e o bicarbonato elevado (31 mEq/L) indicam uma compensação renal crônica para a acidose respiratória, caracterizando um quadro crônico e não agudo. A policitemia (Hb 18, Htc 59%) é uma resposta crônica à hipoxemia.

Contexto Educacional

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição progressiva caracterizada por limitação do fluxo aéreo, frequentemente associada a hipoxemia e hipercapnia. A gasometria arterial é fundamental para avaliar o estado ventilatório e o equilíbrio ácido-base desses pacientes. Em um paciente com DPOC estável, a presença de hipoxemia (PaO2 < 60 mmHg) e hipercapnia (PaCO2 > 45 mmHg) é comum. A chave para diferenciar um quadro agudo de um crônico reside na análise do pH e do bicarbonato (HCO3). Se a PaCO2 está elevada, mas o pH está dentro da faixa de normalidade (7,35-7,45) ou discretamente acidótico, e o bicarbonato está elevado, isso indica que houve tempo para o rim compensar a acidose respiratória, caracterizando um distúrbio crônico. No caso apresentado, pH 7,35 e HCO3 31 mEq/L confirmam a compensação renal. A policitemia (Hb e Htc elevados) é uma resposta adaptativa à hipoxemia crônica, onde o corpo aumenta a produção de glóbulos vermelhos para tentar otimizar o transporte de oxigênio. Portanto, todos os achados (hipoxemia, hipercapnia, pH compensado, bicarbonato elevado e policitemia) são consistentes com um quadro crônico de DPOC, refletindo a adaptação fisiológica do paciente à sua doença pulmonar.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar hipoxemia aguda de crônica na gasometria?

A hipoxemia crônica geralmente é acompanhada de compensação renal, resultando em um pH normal ou próximo do normal e bicarbonato elevado. A hipoxemia aguda, se grave, pode levar a acidose respiratória sem tempo para compensação renal.

Qual o significado da policitemia em pacientes com DPOC?

A policitemia secundária (aumento de hemoglobina e hematócrito) é uma resposta fisiológica crônica à hipoxemia. O corpo tenta aumentar a capacidade de transporte de oxigênio para compensar a baixa PaO2, embora isso possa aumentar a viscosidade sanguínea.

Quando a hipercapnia é considerada crônica em um paciente com DPOC?

A hipercapnia é considerada crônica quando a PaCO2 está elevada, mas o pH arterial está dentro da faixa normal ou discretamente acidótico, devido à compensação renal com retenção de bicarbonato. Isso indica que o organismo se adaptou à elevação do CO2.

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