UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2020
Mariana, 48 anos, comparece à consulta para acompanhamento do quadro de DPOC diagnosticada há poucos meses, ainda sem uso de medicações contínuas. Sem outras comorbidades. Ex-tabagista pesada, parou há 05 meses. Relata dificuldade de caminhar no plano com necessidade de parar devido à falta de ar. Teve um quadro de exacerbação há 3 meses com necessidade de internação por 03 dias. Exame físico com sinais de sobrecarga cardíaca à direita. Trouxe exames recentes: hematócrito 50%, sem alteração no global de leucócitos, função renal normal, Gasometria: pH 7,44; PCO2 50 mmHg, HCO3 30, PaO2 56 mmHg, SaO2 88% (ar ambiente), espirometria: VEF1/CVF = 60% após prova broncodilatadora (pós-BD); VEF1 32% do previsto pós-BD. Em relação ao estágio e tratamento do DPOC, marque a opção correta.
DPOC + mMRC ≥ 2 + VEF1 < 50% + exacerbação grave + PaO2 < 60 mmHg → DPOC muito grave (GOLD D) = Oxigenioterapia domiciliar.
A paciente apresenta DPOC muito grave (GOLD D) devido ao VEF1 < 30% do previsto, dispneia significativa (mMRC 3) e histórico de exacerbação grave. A hipoxemia crônica (PaO2 56 mmHg) é uma indicação clara para oxigenioterapia domiciliar de longa duração, que comprovadamente reduz a mortalidade e melhora a qualidade de vida.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma doença comum, prevenível e tratável, caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e limitação do fluxo aéreo que se deve a anormalidades das vias aéreas e/ou alveolares, geralmente causadas por exposição significativa a partículas ou gases nocivos, como o tabaco. É uma das principais causas de morbimortalidade global, e o tabagismo é o principal fator de risco. O diagnóstico da DPOC é confirmado pela espirometria (VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador). A gravidade é avaliada pelo VEF1 (grau espirométrico) e pela avaliação de sintomas (mMRC ou CAT) e histórico de exacerbações (grupos A, B, C, D da GOLD). A paciente do caso apresenta VEF1 de 32% (muito grave), mMRC 3 (dispneia significativa) e exacerbação recente com internação, classificando-a no grupo D (muito grave, alto risco). A gasometria revela hipoxemia crônica (PaO2 56 mmHg). O tratamento da DPOC visa reduzir sintomas e risco de exacerbações. Para pacientes no grupo D, a terapia farmacológica inclui broncodilatadores de longa ação (LABA e LAMA) e, em alguns casos, corticoides inalatórios. No entanto, a hipoxemia crônica grave (PaO2 ≤ 55 mmHg ou PaO2 entre 56-59 mmHg com sinais de cor pulmonale ou policitemia) é uma indicação clara para oxigenioterapia domiciliar de longa duração (ODLT), que comprovadamente melhora a sobrevida e a qualidade de vida, sendo um pilar fundamental no manejo desses pacientes.
A GOLD classifica a DPOC com base no VEF1 pós-broncodilatador (grau espirométrico de 1 a 4) e na avaliação de sintomas (mMRC ou CAT) e histórico de exacerbações, dividindo os pacientes em grupos A, B, C e D para guiar a terapia.
É indicada para pacientes com hipoxemia crônica grave, definida como PaO2 ≤ 55 mmHg ou SaO2 ≤ 88% em ar ambiente. Também pode ser indicada se PaO2 entre 56-59 mmHg com sinais de cor pulmonale ou policitemia (hematócrito > 55%).
A escala mMRC (Medical Research Council modificada) avalia o grau de dispneia relacionado às atividades diárias, variando de 0 a 4. É um componente chave na classificação GOLD para determinar o impacto dos sintomas na vida do paciente e guiar a escolha da terapia.
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