DPOC: Classificação GOLD e Manejo de Exacerbações

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 74 anos, previamente tabagista de 60 anos-maço, apresenta, há 6 meses, dispneia aos esforços e tosse crônica. Refere cansaço quando se apressa para caminhar no plano ou para subir uma inclinação leve. Nega dor precordial ou tontura. Refere que, no último ano, foi internado durante 5 dias, uma única vez, em virtude de crise de dispneia. Relata ainda que, nos últimos 12 meses, precisou recorrer ao pronto atendimento por duas vezes, tendo recebido antimicrobianos, com resolução do quadro. O exame físico não é relevante e, no momento, está assintomático.O diagnóstico clínico presuntivo correto desse paciente é:

Alternativas

  1. A) insuficiência cardíaca descompensada com fração de ejeção preservada e infecções recorrentes.
  2. B) asma não controlada, conforme classificação do GINA.
  3. C) asma parcialmente controlada, conforme classificação do GINA.
  4. D) DPOC classe C, conforme classificação de GOLD.
  5. E) DPOC classe A, conforme classificação de GOLD.

Contexto Educacional

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição respiratória progressiva, caracterizada por limitação do fluxo aéreo que não é totalmente reversível, geralmente causada pela exposição prolongada a partículas ou gases nocivos, sendo o tabagismo o principal fator de risco. A classificação GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease) é fundamental para guiar o manejo, combinando a gravidade da obstrução do fluxo aéreo (avaliada pela espirometria) com o impacto dos sintomas e o risco de exacerbações. A classificação GOLD divide os pacientes em quatro grupos (A, B, C, D) com base na avaliação dos sintomas (usando escalas como mMRC ou CAT) e no histórico de exacerbações. Pacientes do grupo C são aqueles com poucos sintomas (mMRC 0-1 ou CAT <10) mas com alto risco de exacerbações (duas ou mais exacerbações ambulatoriais ou uma internação hospitalar no último ano). Este paciente, com dispneia aos esforços (mMRC 2), uma internação e duas idas ao pronto atendimento por exacerbações, se enquadra no grupo C. O manejo da DPOC visa aliviar sintomas, reduzir a frequência e gravidade das exacerbações, e melhorar a qualidade de vida. A cessação do tabagismo é a intervenção mais importante. O tratamento farmacológico inclui broncodilatadores de longa ação (LABA e LAMA), e em casos selecionados, corticosteroides inalatórios. A reabilitação pulmonar e a vacinação também são componentes essenciais do cuidado.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para classificar um paciente com DPOC no grupo C de GOLD?

O grupo C de GOLD inclui pacientes com baixo impacto sintomático (mMRC 0-1 ou CAT <10) e alto risco de exacerbações (≥2 exacerbações ambulatoriais ou ≥1 internação por exacerbação no último ano).

Como a escala mMRC é utilizada na avaliação da DPOC?

A escala mMRC (Modified Medical Research Council) avalia a gravidade da dispneia, variando de 0 (dispneia apenas em exercícios intensos) a 4 (dispneia ao se vestir ou sair de casa), sendo um componente chave na classificação de sintomas da DPOC.

Qual a importância do histórico de exacerbações na classificação da DPOC?

O histórico de exacerbações é crucial para determinar o risco futuro de novos eventos. Pacientes com duas ou mais exacerbações ambulatoriais ou uma internação no último ano são considerados de alto risco, impactando diretamente a escolha terapêutica.

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