DPOC GOLD 2023: Classificação e Tratamento Farmacológico

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente, 66 anos, ex-tabagista (carga tabágica de 40 anos-maço), apresenta dispneia aos esforços (mMRC 3), tosse pouco produtiva e sibilos ocasionais de longa data. Há 5 meses paciente teve um quadro de piora desses sintomas, sendo necessário o uso de antibiótico em regime ambulatorial. Feita espirometria que mostrou VEF1/CVF < 70, com VEF de 55%. Qual das alternativas traz a classificação e tratamento para este paciente, de acordo com as diretrizes GOLD de 2023?

Alternativas

  1. A) GOLD 1A / LABA isolado.
  2. B) GOLD 2B / LABA + LAMA.
  3. C) GOLD 2E / LABA + LAMA + corticoide inalatório.
  4. D) GOLD 3B / LABA + LAMA.
  5. E) GOLD 3E / LABA + LAMA + corticoide inalatório.

Pérola Clínica

DPOC: VEF1 50-79% = GOLD 2. mMRC ≥ 2 ou ≥ 2 exacerbações = Grupo B/E. Paciente é GOLD 2B → LABA + LAMA.

Resumo-Chave

A classificação GOLD para DPOC considera o grau de obstrução (VEF1) e a avaliação de sintomas/risco de exacerbações (mMRC, histórico de exacerbações). VEF1 55% é GOLD 2. mMRC 3 e uma exacerbação tratada ambulatorialmente (que conta como uma exacerbação moderada) o coloca no Grupo B, indicando LABA + LAMA.

Contexto Educacional

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição respiratória progressiva e prevenível, caracterizada por limitação do fluxo aéreo que não é totalmente reversível. O tabagismo é o principal fator de risco. As diretrizes GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease) são atualizadas anualmente e fornecem um guia abrangente para o diagnóstico, avaliação e manejo da DPOC, sendo cruciais para a prática clínica e para provas de residência. A avaliação da DPOC pela GOLD 2023 envolve a espirometria para determinar o grau de obstrução do fluxo aéreo (GOLD 1 a 4, baseado no VEF1 pós-broncodilatador) e uma avaliação combinada de sintomas e risco de exacerbações para classificar o paciente em grupos (A, B, C ou E). A escala mMRC (Modified Medical Research Council) avalia a dispneia, e o histórico de exacerbações (moderadas ou graves) é fundamental para a estratificação de risco. No caso, VEF1 de 55% classifica como GOLD 2. mMRC 3 e uma exacerbação ambulatorial (moderada) colocam o paciente no Grupo B. O tratamento farmacológico da DPOC é escalonado de acordo com o grupo do paciente. Para pacientes do Grupo B, a terapia inicial recomendada é a combinação de um broncodilatador de longa ação beta-2 agonista (LABA) e um broncodilatador de longa ação anticolinérgico (LAMA). O uso de corticoides inalatórios (CI) é reservado para pacientes com maior risco de exacerbações (Grupo E), especialmente aqueles com eosinofilia sanguínea elevada, indicando um componente inflamatório eosinofílico.

Perguntas Frequentes

Como é feita a classificação da gravidade da obstrução do fluxo aéreo na DPOC pelas diretrizes GOLD?

A gravidade é classificada pelo VEF1 pós-broncodilatador: GOLD 1 (Leve) VEF1 ≥ 80%, GOLD 2 (Moderada) VEF1 50-79%, GOLD 3 (Grave) VEF1 30-49%, GOLD 4 (Muito Grave) VEF1 < 30%.

Quais são os critérios para classificar um paciente com DPOC nos grupos A, B, C ou E segundo a GOLD 2023?

Os grupos são definidos pela avaliação de sintomas (CAT ou mMRC) e histórico de exacerbações. Grupo A: mMRC 0-1 ou CAT < 10, 0-1 exacerbação moderada (sem hospitalização). Grupo B: mMRC ≥ 2 ou CAT ≥ 10, 0-1 exacerbação moderada. Grupo E: ≥ 2 exacerbações moderadas ou ≥ 1 exacerbação grave (com hospitalização), independentemente dos sintomas.

Quando o corticoide inalatório (CI) é indicado no tratamento da DPOC?

O CI é geralmente adicionado à terapia LABA+LAMA em pacientes do Grupo E com eosinofilia sanguínea ≥ 300 células/µL, ou em pacientes com ≥ 2 exacerbações moderadas ou ≥ 1 exacerbação grave por ano, mesmo com eosinofilia menor.

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