Manejo de Opioides em Cuidados Paliativos: Doses e Resgates

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Paciente feminina, portadora de neoplasia de mama metastática para ossos e sistema nervoso central, comparece ao ambulatório de cuidados paliativos para controle de sintomas. Não está sendo submetida a nenhum tratamento quimio ou radioterápico no momento. Refere queixas de náusea intensa, vertigem, alteração da marcha, fadiga e dor óssea refratária a analgésicos simples. Assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A dor pode ser manejada levando em conta escalas de dor, como a Escala Análoga Visial (EAV) e, a depender da intensidade do sintoma, pode ser iniciada com Morfina 5-10 mg com intervalos de 4 horas, não sendo útil a associação com analgésicos simples neste caso pois a paciente já é refratária.
  2. B) Ao utilizar opioides contínuos deve ser prescrita dose de resgate associada, correspondendo a 10-20% da dose basal e, se o sintoma persistir sem controle após 24h, deve-se adicionar à dose basal a dose total de resgate utilizada.
  3. C) Considerando a provável etiologia da náusea desta paciente, os antieméticos melhor indicados são os antagonistas de 5-HT3, devendo-se evitar os anti-histamínicos e anticolinérgicos.
  4. D) A metadona é medicação segura em caso de refratariedade aos opioides de primeira linha, devido a sua meia-vida previsível por exercer atividade nos receptores NMDA, devendo ser iniciada na dose de 10 mg a cada 12h.
  5. E) Para a dor óssea, estaria indicada a monoterapia com glicocorticoides, como a dexametasona 8 mg/dia, sendo estes também úteis para o tratamento da queixa de fadiga da paciente.

Pérola Clínica

Resgate de opioide = 10-20% da dose diária total. Ajuste basal = Dose anterior + total de resgates/24h.

Resumo-Chave

O controle da dor oncológica requer doses basais fixas associadas a resgates proporcionais (10-20% da dose total diária) para manejar dores incidentais ou falhas de final de dose.

Contexto Educacional

O manejo da dor em cuidados paliativos segue os princípios da escada analgésica da OMS, priorizando a via oral e horários fixos. A dor oncológica metastática frequentemente apresenta componentes nociceptivos (ósseos) e neuropáticos. A associação de adjuvantes, como corticoides para edema peritumoral ou bisfosfonatos para dor óssea, é recomendada. A titulação correta de opioides fortes, como a morfina, é a base do tratamento, sempre garantindo que o paciente tenha acesso a doses de resgate para evitar o sofrimento desnecessário durante crises de dor incidental.

Perguntas Frequentes

Como calcular a dose de resgate de morfina?

A dose de resgate deve corresponder a 10% a 20% da dose total de opioide consumida nas últimas 24 horas. Por exemplo, se um paciente utiliza 60 mg de morfina oral por dia (10 mg a cada 4 horas), a dose de resgate recomendada para episódios de dor intensa seria entre 6 mg e 12 mg, podendo ser administrada a cada 1 hora se necessário.

Quando ajustar a dose basal do opioide?

O ajuste da dose basal deve ser feito após 24 a 48 horas de observação. Soma-se a quantidade total de doses de resgate utilizadas nas últimas 24 horas à dose basal anterior. Essa nova soma passa a ser a nova dose basal diária, que deve ser redistribuída nos horários fixos, mantendo sempre novos resgates calculados sobre este novo total.

Qual o papel da metadona na dor oncológica?

A metadona é um opioide potente com atividade agonista mu e antagonista NMDA, sendo útil em dores neuropáticas e em casos de tolerância a outros opioides (rotação de opioides). No entanto, devido à sua meia-vida longa e imprevisível, não deve ser iniciada em doses altas ou por profissionais inexperientes, pois o risco de acúmulo e depressão respiratória tardia é alto.

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