AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Paciente feminina, portadora de neoplasia de mama metastática para ossos e sistema nervoso central, comparece ao ambulatório de cuidados paliativos para controle de sintomas. Não está sendo submetida a nenhum tratamento quimio ou radioterápico no momento. Refere queixas de náusea intensa, vertigem, alteração da marcha, fadiga e dor óssea refratária a analgésicos simples. Assinale a alternativa correta:
Resgate de opioide = 10-20% da dose diária total. Ajuste basal = Dose anterior + total de resgates/24h.
O controle da dor oncológica requer doses basais fixas associadas a resgates proporcionais (10-20% da dose total diária) para manejar dores incidentais ou falhas de final de dose.
O manejo da dor em cuidados paliativos segue os princípios da escada analgésica da OMS, priorizando a via oral e horários fixos. A dor oncológica metastática frequentemente apresenta componentes nociceptivos (ósseos) e neuropáticos. A associação de adjuvantes, como corticoides para edema peritumoral ou bisfosfonatos para dor óssea, é recomendada. A titulação correta de opioides fortes, como a morfina, é a base do tratamento, sempre garantindo que o paciente tenha acesso a doses de resgate para evitar o sofrimento desnecessário durante crises de dor incidental.
A dose de resgate deve corresponder a 10% a 20% da dose total de opioide consumida nas últimas 24 horas. Por exemplo, se um paciente utiliza 60 mg de morfina oral por dia (10 mg a cada 4 horas), a dose de resgate recomendada para episódios de dor intensa seria entre 6 mg e 12 mg, podendo ser administrada a cada 1 hora se necessário.
O ajuste da dose basal deve ser feito após 24 a 48 horas de observação. Soma-se a quantidade total de doses de resgate utilizadas nas últimas 24 horas à dose basal anterior. Essa nova soma passa a ser a nova dose basal diária, que deve ser redistribuída nos horários fixos, mantendo sempre novos resgates calculados sobre este novo total.
A metadona é um opioide potente com atividade agonista mu e antagonista NMDA, sendo útil em dores neuropáticas e em casos de tolerância a outros opioides (rotação de opioides). No entanto, devido à sua meia-vida longa e imprevisível, não deve ser iniciada em doses altas ou por profissionais inexperientes, pois o risco de acúmulo e depressão respiratória tardia é alto.
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