Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025
Escolar, sexo masculino, com 6 anos de idade, tem dores em membros inferiores 2 a 3 vezes por semana e que melhoram com massagens na região da dor. As dores ocorrem em coxas, panturrilhas e região pré-tibial. Quando a dor o acorda à noite, é medicado com paracetamol ou anti-inflamatório não hormonal. Ao acordar, não tem queixas e faz as atividades habituais. Anda de bicicleta eventualmente e faz aulas de educação física. O exame físico é normal, com articulações sem limitações ao movimento, sem edema ou alterações de cor ou temperatura, pulsos presentes e simétricos. O diagnóstico mais provável é:
Dor de crescimento = Bilateral + Noturna + Exame físico normal + Melhora com massagem/analgésicos.
As dores noturnas benignas da infância são um diagnóstico de exclusão, caracterizadas por episódios paroxísticos de dor em membros sem sinais inflamatórios ou limitação funcional.
As dores noturnas benignas da infância são uma das causas mais frequentes de consulta em reumatologia pediátrica. Apesar do nome popular 'dor de crescimento', não há evidências de que o crescimento ósseo em si cause dor; a etiologia exata permanece desconhecida, possivelmente relacionada à fadiga muscular ou hipermobilidade leve. O diagnóstico é eminentemente clínico. A história de melhora com massagem e a ausência de sintomas sistêmicos são chaves diagnósticas. O médico deve focar na exclusão de patologias orgânicas através de uma anamnese detalhada e exame físico minucioso, evitando a iatrogenia de exames complementares desnecessários em casos típicos.
A dor de crescimento, ou dores noturnas benignas da infância, afeta crianças de 3 a 12 anos. Caracteriza-se por dor bilateral, geralmente em coxas, panturrilhas ou região posterior dos joelhos. Ocorre tipicamente no final do dia ou à noite, podendo acordar a criança, mas desaparece completamente pela manhã. Não há sinais inflamatórios (edema, calor, rubor), o exame físico é rigorosamente normal e a criança mantém suas atividades físicas habituais sem limitações durante o dia.
Sinais de alerta (red flags) que exigem investigação profunda incluem: dor persistente unilateral, dor que ocorre durante o dia, presença de febre, perda de peso, claudicação (mancar), edema articular, limitação de movimento, dor óssea localizada e persistente ou alterações nos exames laboratoriais (anemia, aumento de provas inflamatórias). Nesses casos, deve-se suspeitar de neoplasias (como leucemia ou osteossarcoma), artrite idiopática juvenil ou infecções (osteomielite).
O tratamento baseia-se em medidas de suporte e tranquilização da família. Massagens locais e aplicação de calor durante os episódios de dor costumam ser muito eficazes. Se a dor for intensa o suficiente para impedir o sono, analgésicos simples como paracetamol ou ibuprofeno podem ser utilizados. Não há necessidade de tratamentos complexos ou restrição de atividades físicas, já que a condição é autolimitada e não deixa sequelas.
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