Dores de Crescimento: Diagnóstico e Conduta Clínica

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026

Enunciado

Escolar de 8 anos é levado ao consultório por queixa, iniciada há cerca de um ano, de dor em membros inferiores (bilateral em coxas, panturrilhas e região pré-tibial), de caráter intermitente, predominantemente noturna, e que cede com massagem com álcool, acordando bem no dia seguinte. Os exames complementares mostram hemograma e provas de atividade inflamatória normais e valores elevados de antiestreptolisina O (ASO ou ASLO de 400 UI; valor de normalidade até 200 UI). Com base na principal hipótese diagnóstica para esse caso, a melhor conduta seria:

Alternativas

  1. A) Iniciar anti-inflamatório não hormonal.
  2. B) Iniciar profilaxia para febre reumática.
  3. C) Tranquilizar os pais orientando tratar-se de uma condição funcional.
  4. D) Iniciar anti-inflamatório não hormonal e profilaxia para febre reumática.

Pérola Clínica

Dor noturna bilateral em MMII + alívio com massagem + labs normais = Dores de Crescimento.

Resumo-Chave

As dores de crescimento são benignas, funcionais e não inflamatórias. O ASLO elevado isoladamente não indica febre reumática sem a presença de critérios clínicos de Jones.

Contexto Educacional

As dores de crescimento afetam cerca de 10% a 20% das crianças, geralmente entre 3 e 12 anos. O diagnóstico é essencialmente clínico e de exclusão, exigindo que o médico descarte causas orgânicas como neoplasias, infecções ou doenças reumatológicas inflamatórias. A ausência de sintomas sistêmicos (febre, perda de peso) e de alterações laboratoriais (VHS e PCR normais) reforça a hipótese funcional. Na prática clínica, a confusão com a febre reumática é frequente devido ao uso inadequado do ASLO. É fundamental recordar que a febre reumática exige evidência de infecção estreptocócica MAIS critérios clínicos específicos. No caso apresentado, a dor intermitente que cede com massagem e a normalidade das provas inflamatórias excluem processos inflamatórios agudos.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza as dores de crescimento?

As dores de crescimento são episódios de dor musculoesquelética profunda, geralmente bilaterais, localizados em coxas, panturrilhas ou região poplítea. Ocorrem predominantemente no final do dia ou à noite, podendo acordar a criança, mas desaparecem pela manhã. Não há sinais inflamatórios (edema, calor, rubor) nem claudicação, e o exame físico é normal.

Como interpretar o ASLO elevado neste contexto?

A Antiestreptolisina O (ASLO) indica apenas uma exposição prévia ao Estreptococo beta-hemolítico do grupo A, não sendo sinônimo de febre reumática ativa. Em crianças em idade escolar, títulos elevados são comuns devido a infecções subclínicas. Sem critérios clínicos de Jones (como artrite, cardite ou coreia), o ASLO isolado não justifica tratamento ou profilaxia.

Qual a conduta recomendada para dores de crescimento?

A conduta é baseada na tranquilização dos pais e da criança, explicando a natureza benigna e autolimitada da condição. Medidas locais como massagens e aplicação de calor costumam ser eficazes. Analgésicos comuns podem ser usados em episódios mais intensos, mas não há necessidade de anti-inflamatórios crônicos ou profilaxia antibiótica.

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