FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2023
Menino de 4 anos de idade é trazido à consulta de puericultura na UBS com a queixa que tem acordado, à noite, agitado, com choro agudo e reclamando de dores nas pernas. Refere que sente dor na perna toda, sem localização exata. A mãe faz massagem local e compressas com água morna. No outro dia, a criança acorda bem, sem queixas e, principalmente, sem qualquer manifestação de dor. Nasceu de parto normal, a termo, AIG, não necessitando de observação e alta da unidade neonatal com a mãe. Com relação ao quadro de dor em membros inferiores dessa criança, pode-se dizer que
Dor noturna em membros inferiores < 12 anos, bilateral, difusa, sem sinais inflamatórios, melhora com massagem, sem dor diurna → Dores do crescimento.
Dores do crescimento são benignas e comuns em crianças, caracterizadas por dor noturna, bilateral e difusa nos membros inferiores, sem sinais inflamatórios ou comprometimento funcional diurno, e que respondem bem a medidas simples como massagem e calor.
As dores do crescimento são uma condição benigna e comum na infância, afetando cerca de 25-40% das crianças em idade escolar, geralmente entre 3 e 12 anos. Embora a causa exata seja desconhecida, acredita-se que esteja relacionada à fadiga muscular ou ao uso excessivo durante o dia, e não diretamente ao crescimento ósseo. É crucial para o pediatra e o médico generalista saber identificar essa condição para evitar investigações desnecessárias e tranquilizar a família. O diagnóstico das dores do crescimento é clínico, baseado em uma anamnese cuidadosa e um exame físico normal. As características típicas incluem dor bilateral, difusa, predominantemente noturna, que não causa claudicação ou limitação de atividades diurnas e que melhora com massagem ou calor. É fundamental excluir outras causas de dor em membros inferiores, como artrites, osteomielite, tumores ósseos, doenças neurológicas ou trauma, que apresentariam sinais de alerta como dor unilateral, persistente, articular, febre ou perda de peso. O tratamento é sintomático e visa o alívio do desconforto. Inclui medidas não farmacológicas como massagens, compressas quentes e alongamentos. Analgésicos simples, como paracetamol ou ibuprofeno, podem ser utilizados em casos de dor mais intensa. O prognóstico é excelente, com resolução espontânea na maioria dos casos. O seguimento é importante para reavaliar a criança caso surjam novos sintomas ou as características da dor mudem.
As dores do crescimento são tipicamente bilaterais, localizadas nas coxas, panturrilhas ou atrás dos joelhos, ocorrem principalmente à noite, não causam claudicação ou limitação funcional diurna e melhoram com massagem ou calor.
Sinais de alerta incluem dor unilateral, dor articular, dor persistente durante o dia, claudicação, febre, perda de peso, inchaço, vermelhidão, limitação de movimento ou dor que não melhora com analgésicos simples.
A conduta inicial é tranquilizar os pais, explicar a natureza benigna da condição e orientar medidas de conforto como massagens, compressas quentes e analgésicos simples (paracetamol ou ibuprofeno) se necessário.
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