FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2023
Paciente do sexo masculino de 62 anos de idade, hipertenso e dislipidêmico, chega ao serviço de emergência do Hospital Nova Esperança com dor torácica; surgiu no repouso e já dura mais de 1 hora. A dor é retroesternal com irradiação para ambos os ombros. A dor é descrita como pressão difusa, associada também a náusea e sudorese fria. Um fator de melhora da dor é se encolher em decúbito lateral esquerdo. Ao exame físico é observado a diaforese, frequência cardíaca de 105 bpm, pressão arterial 150x 88 mmHg. Com base na história do paciente, qual dado tem menos correlação com síndrome coronariana aguda?
Dor torácica que melhora c/ decúbito lateral esquerdo → menos provável SCA, mais sugestivo de pericardite ou pleurite.
A dor torácica que melhora com certas posições, como decúbito lateral esquerdo ou inclinação para frente, é atípica para Síndrome Coronariana Aguda (SCA) e mais característica de condições como pericardite ou dor pleurítica, que são influenciadas pela posição.
A Síndrome Coronariana Aguda (SCA) é uma das principais causas de dor torácica na emergência e seu reconhecimento precoce é crucial. A apresentação clínica clássica envolve dor retroesternal em aperto ou pressão, com irradiação típica para o membro superior esquerdo, mandíbula ou dorso, frequentemente acompanhada de sintomas autonômicos como sudorese, náuseas e dispneia. No entanto, a apresentação pode ser atípica, especialmente em mulheres, idosos e diabéticos. É fundamental diferenciar a dor torácica de origem isquêmica de outras causas, como pericardite, embolia pulmonar, dissecção aórtica, doenças gastrointestinais e musculoesqueléticas. A dor que melhora com decúbito lateral esquerdo ou com a inclinação para frente é um dado que tem baixa correlação com SCA e é mais sugestiva de pericardite, onde a inflamação do pericárdio é exacerbada por movimentos e aliviada por posições que diminuem a pressão sobre o coração. A avaliação da dor torácica deve ser sistemática, incluindo história clínica detalhada, exame físico, eletrocardiograma e biomarcadores cardíacos. Residentes devem estar aptos a identificar os sintomas típicos e atípicos da SCA, bem como os sinais de alerta para outras condições graves, a fim de realizar um diagnóstico diferencial preciso e instituir o tratamento adequado em tempo hábil.
Os sintomas clássicos incluem dor retroesternal em aperto ou pressão, com irradiação para braço esquerdo, mandíbula, pescoço ou dorso, frequentemente acompanhada de sudorese, náuseas, dispneia e palidez.
A dor da pericardite é tipicamente pleurítica, piora com a inspiração profunda e tosse, e melhora ao sentar-se e inclinar-se para frente. Pode ser retroesternal e irradiar para o trapézio.
Fatores de risco incluem idade avançada, hipertensão arterial, dislipidemia, diabetes mellitus, tabagismo, histórico familiar de doença coronariana precoce e obesidade.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo