Dor Torácica Não Cardíaca: Manejo da DRGE e Diagnóstico

HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2023

Enunciado

Uma paciente de 40 anos de idade procura serviço de emergência queixando-se de dor em queimação localizada na região anterior do tórax, que se irradia para o pescoço e tem a alimentação e a posição supina como fatores de precipitação. A paciente negou que o esforço desencadeie o sintoma. O eletrocardiograma (ECG) seriado e os biomarcadores cardíacos se mostraram sem alterações. Com base no exposto, assinale a alternativa que indica o próximo passo a ser seguido nesse caso.

Alternativas

  1. A) Solicitar teste ergométrico.
  2. B) Solicitar parecer da psiquiatria.
  3. C) Prescrever inibidor de bomba de próton.
  4. D) Solicitar tomografia de tórax.
  5. E) Prescrever ácido acetilsalicílico.

Pérola Clínica

Dor torácica em queimação, pós-prandial/supina, ECG/biomarcadores normais → teste terapêutico com IBP para DRGE.

Resumo-Chave

Em pacientes com dor torácica atípica, sem evidência de isquemia cardíaca (ECG e biomarcadores normais), e com características sugestivas de refluxo gastroesofágico (queimação, relação com alimentação/posição), o teste terapêutico com inibidor de bomba de prótons (IBP) é a conduta inicial mais adequada.

Contexto Educacional

A dor torácica é uma queixa comum na emergência, e a diferenciação entre causas cardíacas e não cardíacas é um desafio clínico significativo. Para o residente, é crucial dominar a abordagem diagnóstica, especialmente quando os exames cardíacos iniciais (ECG e biomarcadores) são negativos. A dor torácica não cardíaca, frequentemente de origem esofágica, representa uma parcela considerável desses casos, e a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma das principais etiologias. A fisiopatologia da dor torácica na DRGE envolve a irritação da mucosa esofágica pelo refluxo ácido, que pode mimetizar a dor isquêmica. Os sintomas típicos incluem queimação retroesternal, regurgitação e disfagia, mas a dor torácica atípica pode ser a única manifestação. Fatores como a relação com a alimentação, posição supina e ausência de relação com esforço intenso, além de exames cardíacos normais, direcionam a suspeita para a DRGE. O manejo inicial para a suspeita de DRGE como causa de dor torácica não cardíaca é o teste terapêutico com inibidores de bomba de prótons (IBP). Uma resposta positiva ao IBP por 4 a 8 semanas é altamente sugestiva de DRGE. Essa abordagem é preferível a investigações invasivas precoces, como endoscopia ou manometria esofágica, que são reservadas para casos refratários ou com sintomas de alarme. O residente deve estar apto a realizar essa triagem e iniciar o tratamento empírico adequado.

Perguntas Frequentes

Quais características da dor torácica sugerem origem esofágica, como a DRGE?

A dor torácica de origem esofágica é frequentemente descrita como queimação, localizada na região retroesternal, com irradiação para o pescoço, costas ou braços. É comum ser precipitada pela alimentação, posição supina ou esforço físico, e aliviada por antiácidos.

Por que o teste terapêutico com inibidor de bomba de prótons (IBP) é o próximo passo em casos de suspeita de DRGE?

O teste terapêutico com IBP é uma abordagem diagnóstica e terapêutica custo-efetiva. Se a dor torácica do paciente melhorar significativamente com o uso de IBP por um período de 4 a 8 semanas, isso fortalece a hipótese de DRGE como causa da dor, evitando investigações mais invasivas.

Quais são os principais diagnósticos diferenciais para dor torácica não cardíaca?

Além da DRGE, os principais diagnósticos diferenciais para dor torácica não cardíaca incluem distúrbios de motilidade esofágica (espasmo esofágico difuso), causas musculoesqueléticas (costocondrite), causas psicogênicas (ansiedade, pânico) e, menos comumente, doenças pulmonares ou da parede torácica.

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